mais ainda considerando que a grande maioria das vítimas executadas era crianças,
mulheres – algumas delas grávidas - e idosos. As últimas listas de vítimas elaboradas pelo
Escritório de Tutela Legal da Arquidiocese, com base em testemunhos de sobreviventes e
familiares, indicam 1.061 nomes de supostas vítimas executadas, das quais
aproximadamente 54% eram crianças, aproximadamente 18% eram mulheres adultas e
aproximadamente 10% eram homens e mulheres adultos maiores de 60 anos. Por outro
lado, durante as exumações realizadas em 28 lugares, indicados em sua grande maioria por
sobreviventes e outras testemunhas, foram recuperados restos correspondentes a um
número mínimo de 281 indivíduos, dos quais aproximadamente 74% correspondem a
crianças menores de 12 anos. 192 Em particular, no Sítio 1, conhecido como “El Convento” do
povoado de El Mozote, dos 143 indivíduos identificados, 136 são crianças e adolescentes,
sendo a média de idade de 6 anos. 193
154. Esta afirmação se vê corroborada também pelos relatórios forenses que concluíram
que não foram encontradas evidências que pudessem sustentar a possibilidade de que as
mortes tivessem sido produzidas no contexto de um combate, enfrentamento ou
intercâmbio de disparos entre dois grupos. 194 Além disso, a quantidade de evidências
balísticas encontradas nos lugares das execuções demonstra a forma indiscriminada e
massiva em que foram realizadas as execuções das pessoas. 195 As testemunhas
sobreviventes mencionam reiteradamente “os tiroteios”, “as metralhadoras”, “os disparos
constantes”. 196 Ademais, muitas vítimas foram degoladas ou queimadas ainda com vida
escrito de petições, argumentos e provas, folha 5531). José Antonio Márquez Claros expressou ao Escritório de
Tutela Legal que no povoado de El Mozote “a quem afetaram foram os pobres camponeses, que não deviam nada e
que não estavam tampouco armados, se defendiam apenas correndo”. Declaração juramentada prestada por José
Antonio Márquez Claros ao Escritório de Tutela Legal da Arquidiocese em 9 de agosto de 2011 (expediente de
prova, tomo VIII, anexo 3 ao escrito de petições, argumentos e provas, folha 5565). María Erlinda Amaya Márquez
afirmou ao Escritório de Tutela Legal que “ainda que eles não fossem guerrilheiros […] era eles a quem buscavam”.
Declaração juramentada prestada por María Erlinda Amaya Márquez ao Escritório de Tutela Legal da Arquidiocese
em 25 de junho de 2011 (expediente de prova, tomo VIII, anexo 3 ao escrito de petições, argumentos e provas,
folha 5591).
192
Cf. Perícia conjunta prestada perante agente dotado de fé pública (affidavit) por Luis Fondebrider,
Mercedes C. Doretti e Silvana Turner em 18 de abril de 2012 (expediente de prova, tomo XVII, affidavits, folhas
10307 a 10308).
193
Cf. Relatório da investigação forense do povoado de El Mozote, Sítio 1, realizado por Clyde C. Snow,
Robert H. Kirschner, Douglas D. Scott e John J. Fitzpatrick de 10 de dezembro de 1992 (expediente de prova, tomo
VI, anexo 24 submissão ao caso, folha 4022), e Ofício de Clyde C. Snow, Robert H. Kirschner, Douglas D. Scott e
John J. Fitzpatrick, dirigido ao Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera, de 10 de dezembro de
1992 (expediente de prova, tomo V, anexo 23 à submissão do caso, folha 3525).
194
Cf. Relatório arqueológico, Povoado de El Mozote, Sítio 1, realizado pela Equipe Argentina de Antropologia
Forense (EAAF), dezembro de 1992 (expediente de prova, tomo IV, anexo 23 à submissão do caso, folha 2942).
195
Cf. Relatório arqueológico, Povoado de El Mozote, Sítio 1, realizado pela Equipe Argentina de Antropologia
Forense (EAAF), dezembro de 1992 (expediente de prova, tomo IV, anexo 23 à submissão do caso, folha 2942);
relatório da investigação forense do povoado de El Mozote, Sítio 1, realizado por Clyde C. Snow, Robert H.
Kirschner, Douglas D. Scott e John J. Fitzpatrick de 10 de dezembro de 1992 (expediente de prova, tomo VI, anexo
24 à submissão do caso, folha 4022), e Ofício de Clyde C. Snow, Robert H. Kirschner, Douglas D. Scott e John J.
Fitzpatrick, dirigido ao Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera, de 10 de dezembro de 1992
(expediente de prova, tomo V, anexo 23 à submissão do caso, folha 3511).
196
Cf. Declaração testemunhal prestada por Juan Bautista Márquez perante o Segundo Juízo de Primeira
Instância de San Francisco Gotera em 30 de outubro de 1990 (expediente de prova, tomo III, anexo 23 à
submissão do caso, folha 1657); Declaração testemunhal prestada por Irma Ramos Márquez perante o Segundo
Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 31 de outubro de 1990 (expediente de prova, tomo III,
anexo 23 à submissão do caso, folhas 1668 a 1669); Declaração de ofendido prestada por Pedro Chicas Romero
perante o Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 31 de outubro de 1990 (expediente de
prova, tomo III, anexo 23 à submissão do caso, folha 1671); Declaração testemunhal prestada por Hilario Sánchez
Gómez perante o Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 28 de novembro de 1990
(expediente de prova, tomo III, anexo 23 à submissão do caso, folha 1697); Declaração testemunhal prestada por
María Teófila Pereira Argueta perante o Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 23 de
56
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