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b)
expõe diversos fatos e situações de risco que consideram graves e que
poderiam levar a que “motins, rebeliões, mortes e outras formas de violência
poss[am] ocorrer em qualquer momento”. Ademais, em 30 de junho de 2005
visitaram a penitenciária e constataram as condições em que se encontra.
Alguns desses fatos e situações são os seguintes:
i)
fugas e tentativas de fugas: em março de 2005 fugiram três
detentos e quatro detentos tentaram fugir, e em 29 de abril de 2005
houve uma fuga “em massa”, na qual conseguiram fugir dez detentos;
ii)
falecimento de um detento e rebelião: em 2 de maio de 2005
faleceu um detento que estava sendo atendido no ambulatório da
penitenciária por uma hérnia discal. Por conta do falecimento e alegando
as péssimas condições da penitenciária, 105 detentos iniciaram uma
rebelião em 6 de maio de 2005. Um agente penitenciário baleou um
detento, e “seis pessoas foram feitas reféns”. Com a autorização do Juiz
da Vara de Execuções Penais os detentos do “seguro” foram transferidos
a outra penitenciária;
iii)
deficientes condições de salubridade. Um médico e uma
enfermeira visitam a penitenciária duas vezes por semana. As condições
do consultório médico são precárias e não há camas para os detentos. As
condições do consultório odontológico são precárias, e, segundo
indicaram os detentos, o atendimento é prestado por um odontólogo
uma vez na semana;
iv)
quanto à segurança: há de 18 a 22 agentes penitenciários por
plantão (incluindo agentes penitenciários, policiais militares e os policiais
das torres de vigilância) para um total de 937 detentos. Não há
detectores de metais. Não há munição não-letal para proteção dos
agentes penitenciários. Uma parte das celas não possui cadeados. Há
uma “cela livre”, na que circulam livremente 10 a 12 detentos. Os
peticionários das medidas não puderam visitar as celas localizadas no
prédio principal por falta de agentes penitenciários que os
acompanhassem na visita. Somente há três novos agentes
penitenciários, os quais receberam um treinamento inicial, mas
queixaram-se das “péssimas condições de trabalho”;
v)
a penitenciária ainda encontra-se em reforma. Na área da frente
do prédio principal estão sendo contruídos um novo pavilhão com espaço
para 180 detentos e uma quadra de esporte; e
vi)
os detentos do pavilhão principal estão há três meses sem banho
de sol, por conta das obras de construção e porque não existem
funcionários suficientes fazer a segurança e remoção dos presos das
celas;
c)
em 10 de março de 2005 o Ministério Público do Trabalho realizou uma
diligência na Penitenciária Urso Branco, com o propósito de verificar o
cumprimento do compromisso adquirido pelo Estado de Rondônia em dezembro
de 2003 de melhorar as condições de trabalho dos agentes penitenciários.
Apresentaram cópia do relatório que emitiu dito Ministério como resultado da
referida diligência, e indicaram que “percebe-se que tanto os servidores como
os detentos estão expostos a uma situação de total risco de violação da vida e
integridade física”;
d)
a Comissão Especial instaurada para monitorar o cumprimento das
medidas não tem sido efetiva. Nos últimos nove meses reuniu-se três vezes.
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