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Não havia celas individuais, mas pavilhões de aproximadamente 5 por 12 metros de
tamanho, os quais abrigavam aproximadamente 30 pessoas cada um. Havia camas nas
quais dormiam dois internos em cada uma. Além disso, quem não tinha cama dormia em
colchões sem forro. Os familiares forneciam cobertores e travesseiros. Como não havia
pessoal de limpeza, as celas e o exterior eram limpos somente se os internos os limpassem
com água, já que não eram fornecidos materiais de limpeza. No Instituto não havia ar muito
puro e havia mal cheiro na cela. Os banheiros, com latrinas e sem portas, localizavam-se
dentro do pavilhão. Havia um único chuveiro aberto para os 30 internos; portanto, tomavam
banho em turnos. Os internos não recebiam do Estado os artigos de higiene pessoal
indispensáveis para a saúde e limpeza. Nesse sentido, não lhes davam roupa e eram os
próprios internos que lavavam suas roupas. Havia uma lâmpada no meio do pavilhão e duas
janelas não muito grandes com barras.
Por outro lado, enquanto esteve no Instituto, a alimentação não era boa, já que sempre
havia “feijão”, que às vezes tinha vermes. Os próprios internos eram os encarregados de
cozinhar por turnos.
Nas terças-feiras, quintas-feiras, sábados e domingos não podiam sair, já que eram os dias
de visita e os internos apenas saíam se recebessem visita. Nas segundas-feiras, quartasfeiras e sextas-feiras, cada pavilhão tinha um recreio de meia hora durante a manhã para
jogar futebol.
A “disciplina” consistia em que os guardas levavam os internos algemados a uma sala
escura que chamavam “sala de tortura”, que se encontrava “debaixo do galpão e [onde] os
colocavam de pernas para cima e lhes aplicavam um garrote […] e lhes faziam apoiar as
mãos no chão e levantar os pés”. Deixavam-nos assim até a troca de guarda. Ele esteve
nesse porão.
Não havia tanta violência entre os internos, já que somente havia discussões e brigas
esportivas. Por outro lado, escutou que houve estupros antes que entrasse no Instituto. Para
impedir a ocorrência de tais estupros, as autoridades praticavam o referido método de
“disciplina”.
Cerca de dez guardas tratavam os internos “como lixo” e lhes diziam que “não eram mais da
sociedade nem da humanidade”. No Instituto não lhe ensinaram a trabalhar, já que embora
seja verdade que faziam coisas com “canudos” para vender, os materiais eram levados pelas
visitas. Um dia normal no Instituto era tomar o café da manhã às 6, almoçar às 12 e jantar
às 5. Somente saíam meia hora para recreio. No resto do tempo, permaneciam no pavilhão.
No Instituto eram proibidas as ligações por telefone; somente aceitavam as visitas. Por
outro lado, havia uma biblioteca e uma escola. Por isso, quem queria estudar podia sair do
pavilhão por 15 minutos na manhã ou 15 minutos à tarde. Para ir e voltar da escola era
necessário fazê-lo com o guarda. Em resumo, o Instituto não os ajudava em nada.
No Instituto havia um médico para atendê-los; entretanto, não tinha medicamento
suficiente, já que somente tinha remédios para a garganta. Havia uma psicóloga que os
chamava uma vez ou outra e havia professoras por turnos.
Esteve no incêndio ocorrido no ano de 2000, no qual sofreu queimaduras nos braços e nas
costas. Quando o incêndio se iniciou no pavilhão, ele estava dormindo e o “gesso” do teto
começou a se queimar. Fazia muito calor e a fumaça o cegava; era muito difícil respirar. Os
internos gritavam, já que tudo se queimava, e todo o “gesso” caiu. Um dos internos, Elvio