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b) Testemunho de Raúl Esteban Portillo, ex-interno do Instituto
Tinha 16 anos quando entrou no Instituto. Da Delegacia o passaram ao Instituto sem avisar
a sua família. Quando chegou, os guardas lhe bateram com “cassetete” na cara, nas mãos e
nos pés. Esteve preso sete meses na primeira vez e oito dias na segunda.
Batiam nos internos em um porão que tinha barras de ferro na parede. Aí os colocavam e
lhes batiam nas mãos, pés e cara. Levavam-lhes água, batiam neles por uma hora e os
deixavam umas duas horas. Quando lhe bateram teve febre por uns nove dias, mas não foi
visto por nenhum médico.
Alguns internos brigavam por comida porque tinham fome. Os pavilhões eram grandes, de
aproximadamente 6 metros por 3 metros, nos quais estavam entre 20 ou 25 internos em
cada um. Havia cerca de 500 pessoas no Instituto. No pavilhão onde chegou, estavam
alguns condenados e ele estava processado. Eles limpavam o chão. Não havia ventilação,
mas havia luz. Havia um banheiro sujo e somente tinham um chuveiro sem água quente
nem toalha. Não lhes davam roupa nem itens de higiene. Andava descalço.
A comida não era boa e ficou doente por causa desta. A comida era preparada pelos
internos, já que a cozinheira somente cozinhava para os guardas. Quando chegava a
imprensa ou os observadores de direitos humanos, a cozinheira cozinhava.
Não havia nível para ele na escola, já que somente chegavam até a segunda série e ele
estava na sexta. Entretanto, ia às aulas duas horas diárias para passar o dia. Havia uma
biblioteca, mas não era para os internos. Não aprendeu nenhum ofício; o único que
aprendeu foi a roubar, a fumar cigarros e droga também. A maconha, o álcool e os
comprimidos eram vendidos pelos guardas. Os faziam praticar a religião católica e não podia
usar o telefone, somente mandar cartas. Não havia médico, nem dentista, nem oculista,
nem psiquiatra. Tampouco havia enfermeira. Se não se “curavam, morriam”. Se os guardas
descobriam que os internos tinham facas, os transferiam para Emboscada.
No incêndio de 11 de fevereiro de 2000, um guarda bateu em um interno e os demais se
irritaram. Disseram que iam queimar os colchões para que a imprensa aparecesse. Seus
amigos tinham fome e, além disso, apanhavam. Os internos tomaram a decisão de causar o
incêndio porque “alguns levavam aí oito, dez anos e queriam sair. Entediavam-se.” No
incêndio, ele estava dormindo. Quando ele se levantou abriu uma janela e assim todos
puderam respirar. Queimou-se todo: os braços, o peito e as costas. O cheiro lhe fazia mal e
cuspia sangue e cinzas. Não podiam sair porque havia uma agulha dentro do trinco. Pediam
ajuda e os guardas diziam “pe manomba” que quer dizer, “morram todos”. Os próprios
internos demoraram 15 minutos para abrir o pavilhão.
No hospital, demoraram cerca de meia hora para atendê-lo. Esteve sete meses internado,
dois dos quais esteve em coma. Depois foi levado para sua casa e aí se curou. Depois o
retornaram ao Instituto, já que não queriam autorizar sua liberdade. Sofreu muitíssimo.
Esteve como preso domiciliar um ano e seis meses. O condenaram e esteve em Itauguá,
que é um lugar melhor, mas a comida é um desastre e também lhes batiam. Quer estudar e
não quer que aconteça nada a sua família. Nem o Instituto nem Itauguá lhe ajudaram a
mudar.
Solicitou à Corte apoio para seguir adiante e para estudar, já que gostaria de ser médico e
não tem dinheiro para estudar. Além disso, solicitou que se conceda ajuda para seu lar, já