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estava em uma cadeira de rodas. Antes de entrar ao Instituto, seu filho estava bem, mas
depois estava magro e pálido. Davam-lhe comida “como um porco”. Dava-lhe muita pena
que seu filho sofresse sem culpa. Ele não queria lhe contar muito para não machucá-la, já
que ela tem problemas do coração.
Ficou sabendo do incêndio quatro dias depois, quando sua filha lhe informou, já que não
tinha televisão porque a tinha vendido para resgatar seu filho na segunda vez que o haviam
detido. Sua filha lhe disse que todos os internos estavam no hospital. Foi ao hospital e, ao
tentar entrar, a empurraram e lhe disseram que não podia entrar porque ia infectar seu
filho. Um dia depois a deixaram entrar. A testemunha perguntou ao médico se podia levar
medicamentos para seu filho porque no hospital estava em falta, mas ele lhe disse que não.
Seu filho lhe comentou que estava acordado no dia do incêndio e que de fora alguém jogou
“algo para que […] se queimassem.” Poucos dias depois do incêndio, depois de iniciar a
terapia, seu filho morreu. O coração da testemunha estava derrotado. A testemunha queria
sair a gritar pela rua: “por que aconte[ceram] estas coisas? Todos somos seres humanos.”
Não aguentava essa dor. Ela pensava que estando dentro do Instituto o Estado ia garantir
que nada acontecesse a seu filho.
Posteriormente, alguém que não disse seu nome chamou a testemunha por telefone e lhe
disse que ia pagá-la e que se tranquilizasse, mas ela lhe respondeu que seu “filho não tinha
preço”.
A morte de Diego Walter a deixou doente. Isso lhe dói muito, não compreende como seres
humanos têm um coração tão duro para fazer essas coisas. A testemunha tem problemas de
coração; atualmente está fazendo um tratamento cardíaco muito duro. Seu filho Cristian, de
14 anos, assustou-se e ficou “meio bobo”. O acontecido também afetou seus outros filhos
William Santiago e Gloria Raquel.
Solicitou à Corte que faça justiça e que, pelo menos, cuide dos “garotos” que se queimaram.
e) Testemunho de Juan Antonio de la Vega Elorza, sacerdote jesuíta e advogado
Atualmente trabalha como capelão da Penitenciária Nacional de Tacumbú, em Assunção.
Seu trabalho se relaciona à vida espiritual dos internos, à assistência jurídica e à parte
assistencial.
O Instituto era uma residência pequena, não terminada, que ia ser dada a um comissário
chefe do agrupamento especializado da polícia. As autoridades justificavam o fato de que o
Instituto se localizasse onde viria a ser uma residência, dizendo que era somente uma
medida provisória, enquanto se buscava outro lugar um pouco mais amplo e com condições
mais adequadas para recuperar esses garotos. O Instituto não possuía nenhuma condição
para a recuperação dos internos. Não havia lugar para descarregar a tensão dos
adolescentes. Havia apenas um pátio; portanto, faziam esporte por grupos. Havia
oportunidades em que estavam fechados por dias sem fazer nem sequer um passeio pelo
pátio, contra as normas estabelecidas pelas Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o
Tratamento do Delinquente. Tampouco havia médicos ou medicamentos.
Não existia nenhuma norma de classificação dos internos por idade nem por acusados e
condenados. Além disso, ainda que a lei o preveja, normalmente não se fazia nos internos
uma revisão médica, odontológica ou psicológica ao entrar ao Instituto. As instalações dos
banheiros do Instituto eram poucas, pobres e péssimas. Havia cheiros desagradáveis,
porque não tinham sabão, a água era fria e não tinham com o que se secar. Os internos não