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O Instituto era um lugar não muito grande e nele havia mais de 600 “garotos”. A comida era
“incomível”. Por isso, a testemunha levava comida e dinheiro para seu filho para que desse
ao guarda e assim o tratamento fosse “um pouquinho mais leve”. O Instituto não era um
correcional; era um lugar onde parecia que detinham os internos como “animais”. A cela era
de aproximadamente dois metros para mais de 30 crianças. Os internos estavam fechados
todo o dia e somente saíam para tomar café da manhã, almoçar e jantar. Quando ia ao
Instituto, os visitantes eram registrados e desvestidos para ver o que levavam. Nos dias em
que ia visitá-lo, sempre lhe diziam que havia sido castigado, que não se dava bem com o
guarda ou que ia à sala de castigo. Em relação aos castigos, seu filho lhe dizia que havia
“vezes que o [guarda] melhor [o fazia] pular; o [guarda] que e[ra] mais forte [o] coloca[va]
com as mãos para baixo por umas horas, [com] a cabeça para baixo e as pernas para cima,
pendurado pelas pernas”. Quando os internos se levantavam daí, se batiam por causa da
tontura. Para a testemunha, esse tratamento é desumano.
Sergio sofria dores de cabeça, nas costas e na cintura; ela sempre lhe levava alguns
medicamentos. Uma vez teve sarna. Nunca foi atendido por um médico; ela era seu médico.
Davam-lhes a recomendação de que não podiam levar muito medicamento.
Contratou uma psicóloga particular para seu filho pela situação em que estava e porque via
que “já não era um garoto normal.” A psicóloga o visitava três vezes por semana no
Instituto durante quatro meses, até sua morte.
Apresentou uma demanda civil contra o Estado que está arquivada “até que outras pessoas
movam isto.”
Não pediu à Corte nada para seu filho morto, mas para os filhos vivos porque estão
impactados, como ela está, já que não há nada que possa aliviar uma dor tão grande como
a perda de um filho. Além disso, pediu ajuda para aqueles que sofreram maus-tratos e que
se queimaram no incêndio do Instituto. Solicitou que a justiça paraguaia seja imparcial,
humana e “que todos s[ejam] iguais.”
d) Testemunho de Felipa Benicia Valdez, mãe de Diego Walter Valdez, ex-interno
do Instituto, falecido
Seu filho, Diego Walter Valdez, era um garoto bom e obediente. Aos 11 anos, um
patrulheiro disparou em suas pernas e depois o levou para ser atendido. Entretanto, ficou
quinze dias na delegacia, onde lhe pediram 150 mil guaranis para liberá-lo; por isso, vendeu
seu guarda-roupa. Quando seu filho tinha 13 anos, o levaram à delegacia e lhe pediram
dinheiro para entregá-lo, mas ela não tinha a quantia que lhe pediram. Então o levaram ao
Instituto ainda que não fosse culpado e nunca lhe foi atribuída uma pena; depois de três
meses, lhe deram a liberdade. Aos 16 anos, o culparam de roubar um celular. Para poder
tirá-lo, vendeu seu fogão e sua geladeira. Entretanto, voltaram a levá-lo para o Instituto.
Levava seis meses lá quando aconteceu o incêndio. Seu filho nunca foi condenado, mas
tinha um advogado.
Ela ia nos dias de visita ao Instituto: terças-feiras, quintas-feiras e domingos. Entretanto,
algumas vezes ele estava em um porão “para que [fosse] menor [s]ua condenação”. Nesse
porão, lhe batiam e não lhe davam comida, somente água. Um dia “vomitou” sangue e
mandaram chamá-la com urgência, para tirá-lo com urgência; ele lhe contou que lhe batiam
muito na cintura. Nessa oportunidade, levaram Diego Walter ao médico e lhe deram
medicamentos; não permitiram que a testemunha levasse medicamento para ele. Seu filho