lapso temporal, é evidente que esta pessoa não poderia caminhar”. Não obstante, neste
último relatório conclui-se que “não há elementos de juízo objetivos para determinar qual foi
a sequência cronológica das lesões”540.
349. Por sua vez, o declarante Carlos Bacigalupo, que é antropólogo forense, propôs uma
ordem às lesões encontradas no corpo do senhor Urán Rojas “dada a prova disponível”. A
respeito, indicou que as lesões nas pernas do senhor Urán Rojas são coincidentes com as
imagens dos vídeos nos quais foi reconhecido saindo do Palácio da Justiça, apoiado em um só
pé. Ademais, explicou que “a lesão na perna esquerda e as escoriações [nas bochechas] e
equimoses [no olho direito] podem ser consideradas ante mortem”. A respeito, detalhou:
Dada a prova disponível, a primeira lesão é a da perna, isto permitiria que a pessoa
ainda tivesse certa mobilidade e vitalidade; explicando ademais a ocorrência das
lesões no rosto (escoriações e equimoses), em um segundo momento, no qual a
pessoa se encontraria detida; em um terceiro momento, ocorreria a lesão situada no
pescoço e finalmente a lesão no crânio, que corresponderia a um golpe ou tiro de
misericórdia541.
350. A Corte observa que, de acordo com os estudos realizados no corpo de Carlo Horacio
Urán Rojas, não é possível determinar a ordem das lesões que apresenta (par. 348 supra).
Portanto, não se pode concluir que recebeu todas as lesões encontradas no cadáver após,
supostamente, ter saído do Palácio da Justiça, como alega a perícia proposta pelo Estado, nem
tampouco se pode concluir, sem dar lugar a dúvidas, que a ordem dos acontecimentos é a
proposta pelo doutor Bacigalupo. Sem embargo, é necessário ressaltar o indicado pelo doutor
Bacigalupo, no sentido de que a ordem proposta das feridas encontradas, seria compatível
com os reconhecimentos pessoal e em vídeo que foram feitos na saída do senhor Urán Rojas.
351. Sobre a discussão referente ao disparo recebido na cabeça por Carlos Horacio Urán
Rojas, em um relatório realizado pelo Instituto de Medicina Legal, em 1986, sobre o ocorrido
no banheiro onde estava o senhor Urán Rojas, foi concluído que o disparo na cabeça “foi
realizado a uma distância menor que um metro”542. Ademais, o doutor Bacigalupo ressaltou
que, de acordo com a prova de lunge realizada em 1985 “a ferida apresentava resíduos de
pólvora, o que implica que o disparo que acabou com a vida de Carlos Horacio Urán Rojas, foi
executado à queima-roupa”543. A respeito, detalhou que “a única forma da lesão apresentar
esta pólvora no interior, é porque o cano da arma que disparou o projétil estava encostado no
crânio”544. Em sentido similar, o relatório pericial realizado pelo Instituto Nacional de Medicina
Legal, em 2011, concluiu que “pelo menos um dos conjuntos de lesões foi feito a curta
distância (na região frontal esquerda) ”545.
352. Contrariamente, o doutor Duque Piedrahíta indicou que a prova de lunge que foi
realizada “hoje em dia é obsoleta. Pode produzir muitos resultados equivocadamente
540
Relatório pericial de autópsia médico-legal, de 11 de fevereiro de 2011, (expediente de prova, fls. 15.910 e 15.911).
Notas escritas de Carlos Bacigalupo (expediente de prova, fls. 36.341 e 36.343).
542 Ofício de 14 de maio de 1986, do Instituto de Medicina Legal ao 77° Juiz de Instrução Criminal Ambulante (expediente de
prova, fl. 38.158).
543 Notas escritas de Carlos Bacigalupo (expediente de prova, fl. 36.340).
544 Declaração de Carlos Bacigalupo prestada na audiência pública sobre o mérito realizada no presente caso. Ver também,
Relatório do Laboratório de Balística, anexo ao Relatório de autópsia n° 3.783-85 (expediente de prova, fls. 15.976 e 15.980).
545 Cf. Relatório pericial de autópsia médico-legal, de 11 de fevereiro de 2011 (expediente de prova, fl. 15.910).
541
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