ameaçaram-no se entrassem com reclamação contra eles por ter sido torturado, o matariam e a sua família”596. A este respeito, a Corte observa que, além das informações sobre a solicitação de medidas cautelares por Yolanda Albericci Santodomingo, só conta com as próprias declarações das vítimas sobre estas supostas ameaças ou advertências. No entanto, toma nota que as declarações de três das quatro supostas vítimas de detenção e tortura concordam que foram advertidas ou ameaçadas para que não contassem o ocorrido. B.1.5. Exames e estudos psicológicos realizados nas supostas vítimas 391. De acordo com a perícia apresentada a esta Corte pela psicóloga Ana Deutsch, tanto Orlando Quijano como José Vicente Rubiano Galvis apresentam sintomas de estresse póstraumático. Especificamente, sobre o senhor Quijano, a perita Deutsch indicou que “os eventos de estresse pós-traumático aparecem imediatamente após os acontecimentos do [Palácio da Justiça] e permanecem até hoje”, além de apresentar sintomas psicossociais, tais como “a ruptura da teia social” e a “perda de confiança no Estado e seus funcionários”. Segundo a perita, o senhor Quijano foi objeto de torturas físicas e psicológicas, inter alia, pela posição em que foi obrigado a permanecer na Casa del Florero, a privação de comida e água, o isolamento em um quarto escuro e os interrogatórios sistemáticos onde o indicavam como guerrilheiro597. 392. Com relação a José Vicente Rubiano Galvis, a perita Deutsch especificou que apresenta vários sintomas de estresse pós-traumático e que “há uma relação forte” entre "os atos de violência sofridos, narrados pelo paciente e os achados na avaliação psicológica”598. De acordo com a perita, o senhor Rubiano Galvis foi submetido a torturas físicas e psicológicas, inter alia, por chutes recebidos no peito e nos membros na altura das tíbias, por murros no rosto, assim 596 Cf. Declaração de José Vicente Rubiano Galvis, de 15 de maio de 2007, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 1.284). Ver também: Declaração de 5 de novembro de 2013 perante agente dotado de fé pública (affidavit) de José Vicente Rubiano Galvis (expediente de prova, fl. 35.621), e Declaração de José Vicente Rubiano Galvis, de 2 de junho de 2009, perante o 51° Juizado Penal do Circuito de Bogotá (expediente de prova, fls. 14.657 e 14.675). Ademais, declarou que no mês dos acontecimentos, no bairro Primavera de Bogotá, lugar onde sua mãe morava, foi interceptado por sujeitos da inteligência militar que se transitavam em um veículo e disseram-lhe que não denunciasse os fatos porque o matariam. Cf. Declaração de José Vicente Rubiano Galvis, de 15 de maio de 2007, perante a Promotoria (expediente de prova, fl. 1.286); e Declaração de José Vicente Rubiano Galvis, de 2 de junho de 2009, perante o 51° Juizado Penal do Circuito de Bogotá (expediente de prova, fl. 14.657). 597 Segundo a perita Ana Deutsch, os métodos de tortura física, aos quais Orlando Quijano foi submetido, foram os seguintes: “tortura por posição, porque na Casa del Florero, foi obrigado a permanecer de pé com as mãos na nuca e olhando para a parede por horas, para impedir que observasse seus agressores”. Ademais, foram identificados os seguintes métodos de tortura psicológica: “exaustão por ter sido privado de água e comida; impedimento de atender às suas necessidades fisiológicas; isolamento ao ser confinado em um porão escuro e úmido; privação da estimulação sensorial normal; submissão à escuridão total, afetando a percepção através de seus órgãos sensoriais; aplicação de técnicas psicológicas para cedimento do indivíduo mediante: interrogatórios sistemáticos em que afirmam reiteradamente sua condição de guerrilheiro”. Além disso, de acordo com a perícia, os sintomas de tortura que vem apresentando desde os acontecimentos do Palácio da Justiça são os seguintes: “medo devido a sua percepção, baseada em sua experiência como advogado, por conhecer casos de tortura a civis pelo Exército, como mecanismo de controle social [...]. Condutas evasivas e de retração [...]. Depressão [...]. Distanciamento emocional [...]. Agorafobia”. Como sintomas psicossomáticos, identificou o seguinte: “dor frequente no hipocôndrio direito; dor em todo corpo que aparece anualmente; dores musculares permanentes nos braços, pés, calcanhar e dedos do pé. Estes sintomas psicossomáticos que apareceram pouco depois dos acontecimentos do Palácio da Justiça, podem ser relacionados com a tortura física e psicológica a qual foi submetido”. Cf. Perícia apresentada em 29 de outubro de 2013 perante agente dotado de fé pública (affidavit) por Ana Deutsch (expediente de prova, fls. 35.969 a 35.971). 598 Em particular, indicou que “em nível psicológico: José Vicente Rubiano apresenta sintomas de estresse pós-traumático incluindo: estado de hipervigilância; hiperexcitabilidade; esquivança; distanciamento emocional; aumento do consumo de álcool (imediatamente após os fatos). Irritabilidade; angústia de separação. Em nível psicossocial: afastamento e isolamento social; sofre rejeição da comunidade por ter sido qualificado como ‘guerrilheiro’. Ruptura do seu Projeto de Vida”. Quanto aos efeitos sociais, a perita identificou o seguinte: “afastamento e pouco interesse por interações sociais [...], “estigmatização [...], inibição profissional [...], ruptura do projeto de vida”. Quanto a dimensão relacional, a perita identificou o seguinte: “ruptura da teia social [...], angústia de separação [...], esquivança [...], enfermidades de familiares [...], mudança de hábitos”. Perícia apresentada, em 29 de outubro de 2013, perante agente dotado de fé pública (affidavit) por Ana Deutsch (expediente de prova, fls. 35.973, 35.978 a 35.980).

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