escutado (se é que não já as escutamos, pelo menos a ideia que encerram) em alguns dos milhares e milhares de seminários e mesas-redondas que se realizam em nossos dias. 79. Mas, o Pregador não para por aí. E prossegue, com sabedoria e conhecimento da natureza humana: “E, de novo, considerei todas as opressões que se cometem debaixo do Sol. Vede as lágrimas dos oprimidos: eles não tem consolador. Os seus opressores fazem-lhes violência: eles não tem consolador. E eu, então, felicitei aqueles que já morreram, de preferência aos vivos que ainda estão vivos. E mais felizes que uns e outros são os que nunca chegaram à existência e não viram o mal que se comete debaixo do Sol”.69 80. E o Pregador acrescenta que tudo tem seu tempo: “Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu: tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou, (...) tempo para chorar e tempo para rir, tempo para se lamentar e tempo para dançar, (...) tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço, tempo para procurar e tempo para perder, tempo para guardar e tempo para atirar fora, tempo para rasgar e tempo para coser, tempo para calar e tempo para falar”(...).70 81. Meu tempo como Juiz Titular desta Corte está expirando. Tudo tem sua hora, um momento para chegar e um momento para partir. Quanto às vítimas sobreviventes do Caso do Presídio Castro Castro, tiveram seu tempo de sofrimento prolongado, seu tempo de sofrimento com a impunidade, mas, tem, agora, seu tempo de justiça. Depois das trevas chegou a luz, no chiaoscuro da frágil existência humana. Para mim, a triste saudade antecipada da partida da Corte é, em parte, compensada pela luz que passa a iluminar o caminho das vítimas, com o estabelecimento da verdade e da justiça. Antônio Augusto Cançado Trindade Juiz Pablo Saavedra Alessandri Secretário 69 Capítulo 4, versículos 1 e 3. 70 Capítulo 3, versículos 1-8.

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