julho de 2019, as investigações relacionadas a supostos atos de ameaças contra o possível beneficiário
foram encerradas (sem mais informações sobre o motivo).
17.
Em 30 de junho de 2020, os solicitantes enviaram informações alegando que dois
indígenas Yanomami foram assassinados por garimpeiros após desentendimentos sobre troca de
alimentos. Da mesma forma, foi indicado que na comunidade de Waikás pelo menos 15 pessoas
possíveis beneficiárias estariam com sintomas da COVID-19, presumivelmente após um jovem
Yanomami ter estado com os garimpeiros.
2.
Resposta do Estado
18.
O Estado forneceu informações indicando que existem dois processos judiciais
internos relacionados a esse assunto, um no qual foi determinada a reabertura de três BAPE, decisão
confirmada em 15 de junho de 2020; e outro em que solicitou-se a apresentação de um plano de
emergência para o efetivo monitoramento territorial da TIY, com a retirada de infratores ambientais,
no contexto da pandemia da COVID-19. Este teria sido rejeitado, com o recurso pendente de resolução.
Nesse sentido, de acordo com o Estado, as questões apresentadas no pedido de medidas cautelares já
estão sendo analisadas pelo judiciário interno. O Estado não se manifestou sobre a decisão judicial de
14 de julho determinando a apresentação do mencionado “Plano de Emergência”.
19.
O Estado acrescentou que, além disso, foram tomadas medidas para garantir a
segurança alimentar dos povos indígenas no país no contexto da pandemia. A título ilustrativo, indicou
que 35 das famílias Yanomami em questão receberam uma cesta básica, além das outras 9.000
distribuídas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) no estado de Roraima (sem especificar se
chegaram às comunidades das pessoas possíveis beneficiárias).
20.
Em relação a ações específicas de atenção à saúde, o Estado informou que realizou
reuniões de concertação entre órgãos institucionais, destacando as medidas implementadas pela
coordenação da Funai em Roraima, incluindo, ao menos, o DSEI Leste Roraima e o DSEI Yanomami,
este último com escopo de ação no território dos possíveis beneficiários. Entre as ações destacadas
pelo Estado estão: a. Distribuição de alimentos - Auxílio do Exército e DSEI Leste - para as famílias em
geral; b. Distribuição de alimentos para as famílias com casos suspeitos e/ou confirmados, para que
façam o isolamento; c. Coordenação, junto com os Distritos, das estruturas e fluxos a serem
implementados; d. Participação da normatização e implementação do protocolo a nível regional; e.
Solicitação de 35 unidades habitacionais (120 Leitos) do ACNUR para atendimento do DSEI Leste; f.
Solicitação de um local específico para quarentena e isolamento de indígenas Yanomami (em virtude
das especificidades da etnia, eles não conseguem fazer isolamento de outros pacientes crônicos); g.
Solicitação de fiscalização de pontos de garimpo e acessos de entrada da TI Yanomami; h. Compras
para apoiar as barreiras sanitárias mantidas por indígenas (alimentação, tenda, EPI's) – processo em
andamento; i. Realização de trabalho de fiscalização para averiguar atividades ilegais de não indígenas
na área leste (chamada de área de lavrado, que não abrange a TI Yanomami).
21.
O Estado também indicou que foi feito um mapeamento das 61 barreiras sanitárias
instaladas em terras indígenas (não especificadas) e ações detalhadas realizadas pelo DSEI-Leste
Roraima11. Quanto ao DSEI-Yanomami, o Estado informou que compreende 78 Unidades Básicas de
Saúde Indígena e 37 Polos Base de Atenção. Em maio de 2020, o DSEI-Y realizou uma missão para
transferir “medicamentos, alimentos e infraestrutura” para uma vila (Xexena). Da mesma forma, a
equipe do Polo Base Uraricoera visitou três comunidades (Rerebe, Naperobi e Korekorema) para
monitorar a situação dos povos indígenas em quarentena, depois que tiveram contato com uma pessoa
com a COVID-19.
11
Resulta dos autos que o DSEI-Leste Roraima não está focado nos possíveis beneficiários, mas nos DSEI-Yanomami.
-5-