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197.39. A maioria dos internos vítimas mortais apresentava entre três e 12 perfurações de
bala na cabeça e no tórax. 75
197.40.
Durante os acontecimentos de 6 a 9 de maio de 1992, um policial morreu em
consequência do impacto de projéteis de arma de fogo na cabeça e no tórax; e ficaram
feridos aproximadamente nove efetivos policiais. 76
Acontecimentos posteriores a 9 de maio de 1992
197.41. Em 10 de maio de 1992, redigiu-se uma ata do material apreendido no presídio
pelo pessoal especializado da Polícia Nacional, na qual constam dez armas (duas
submetralhadoras, quatro revólveres, uma escopeta e três pistolas), 11 granadas e 24
artefatos explosivos caseiros, conhecidos como “queijo russo”. Essa ata foi assinada pela
Promotora Mirtha Campos. 77
197.42. Uma vez fora dos pavilhões, os internos sobreviventes foram, em sua maioria,
obrigados a permanecer nas áreas do presídio denominadas “terra de ninguém” e
“admissão”, deitados de bruços na terra, em decúbito ventral, sem agasalho, ao ar livre,
com autorização para levantar apenas para urinar, e foram objeto de constantes socos e
agressões. Os que estiveram nessas condições durante vários dias receberam como único
alimento pão e água, de maneira irregular pela manhã, e, uma sopa aguada, e foram
vigiados por agentes de segurança armados e com cães, e se alguém se mexia ou se
queixava, os agentes subiam no corpo do sobrevivente e o xingavam. Nesse grupo de
pessoas, se encontravam feridos 78 e mulheres grávidas, que também foram forçadas a
Evaristo Fernandez e Crisineo Neira Torres (expediente de anexos da demanda, anexos 125, 127, 131 e 138,
folhas 1.683, 1.698, 1.742 e 1.803).
74
Cf. Relatório Final da Comissão da Verdade e Reconciliação, CVR, firmado em 27 de agosto de 2003 na
cidade de Lima, Peru, tomo VII, seção 2.68, As execuções extrajudiciais no presídio Canto Grande, p.784
(expediente de anexos da demanda, anexo 6, correspondente a um disco compacto); e declaração testemunhal
prestada por Julia Peña Castillo na audiência pública perante a Corte Interamericana, realizada em 26 e 27 de
junho de 2006.
75
Cf. laudos de necropsia (expediente de anexos da demanda, anexo 278, folhas 3.285 a 3.324); laudos
periciais forenses (expediente de anexos da demanda, anexo 279, folhas 3.326 a 3.384); e relatórios periciais de
balística forense (expediente de anexos da demanda, anexo 281, folhas 3.409 a 3.465).
76
Cf. sentença proferida pela Câmara Nacional de Terrorismo da Corte Suprema de Justiça do Peru em 3 de
fevereiro de 2004 (expediente de anexos da demanda, anexo 274, folhas 3.229 e 3.230); boletim policial No. 12104 emitido pela Polícia Nacional do Peru, Direção de Investigação Criminal, em 26 de maio de 2004 (expediente de
anexos do escrito de contestação da demanda, folha 5095); e laudo de necropsia de José Hidrogo Olano
(expediente de anexos da demanda, anexo 278, folha 3.292).
77
Cf. ata de apreensão de armas de 10 de maio de 1992 (expediente de anexos da demanda, anexo 12,
folha 136).
78
Cf. comunicações enviadas à Comissão por alguns prisioneiros em 20 e 27 de maio de 1992 (expediente
de tramitação perante a Comissão Interamericana, tomo II, folhas 4.705 e 4.709); diversas declarações
testemunhais de internos sobreviventes (expediente de anexos da demanda, anexos entre 82 e 246, folhas entre
1.229 e 2.734); declarações testemunhais escritas de Raúl Basilio Gil Orihuela, Jesús Ángel Julcarima Antonio e
Eva Sofía Challco Hurtado (expediente sobre mérito e eventuais reparações e custas, tomos VII e VIII, folhas
2.106, 2.268 e 2.206); artigo jornalístico intitulado “Dinamitan escombros en busca de más cadáveres” publicado
no jornal "El Nacional" em 13 de maio de 1992 (expediente de anexos da demanda, anexo 28, folha 385); artigo
intitulado “Canto Grande Por Dentro” publicado na revista "Caretas” em 18 de maio de 1992 (expediente de anexos
da demanda , anexo 26, folhas 370 a 377); artigo jornalístico intitulado “Cifra de fallecidos llega” publicado no
jornal diario "Expreso" em 12 de maio de 1992 (expediente de anexos da demanda, anexo 27, folhas 380 a 382); e