-37A testemunha era interno no Presídio Castro Castro no pavilhão 4B. Em 6 de maio de 1992,
foi despertado por uma potente explosão que vinha do pavilhão 1A, no qual se encontravam
as mulheres. Foi o início de uma sucessão de bombas e descargas explosivas lançadas
contra esse pavilhão. No dia seguinte, os feridos foram levados ao pavilhão 4B, e se
“juntaram cinco cadáveres dos internos”, que foram enterrados nesse dia. Após tentativas
de diálogo entre as partes, não se obteve resposta dos altos comandos das forças armadas.
No início, haviam aceitado que os feridos saíssem, mas mudaram de ideia e os
francoatiradores começaram a disparar dos pavilhões contíguos contra vários internos; o
teto foi perfurado e introduziram granadas de mão e bombas de gás lacrimogêneo. Nesse
momento havia mais de 30 mortos e mais de 500 pessoas imobilizadas. Os internos
estavam amontoados, não havia espaço para andar, não se podia comer, dormiam muito
perto dos cadáveres, estavam asfixiados e se queimando por causa dos gases, das bombas
e do fogo que as forças armadas utilizavam dentro do presídio. Considera que o que as
autoridades queriam não era a transferência, mas sim “matar os internos”.
Sua mãe teve de ir ao necrotério à sua procura e examinar todos os cadáveres, o que foi
uma experiência traumatizante para ela.
Foi levado ao hospital da polícia onde não recebeu o atendimento médico necessário. Junto
dele, reconheceu Walter Huamanchumo, Luis Pérez Zapata, Víctor Olivos Peña e Agustín
Machuca. Seu diagnóstico, depois “da explosão” no Presídio Castro Castro, foi de
queimaduras de segundo grau no rosto, peito, ambos os braços e pernas; perfuração dos
tímpanos em ambos os ouvidos, ruptura da arcada superior direita, perda do globo ocular
do olho direito, e perda da visão total do olho esquerdo. Programaram uma cirurgia para
retirar-lhe o olho direito, mas nesse mesmo dia foi transferido para o Hospital Alcides
Carrión, no qual não continuaram seu tratamento médico. Foi instalado em uma cela
totalmente anti-higiênica. Em agosto de 1992, foi levado de volta ao Presídio Castro Castro,
onde prosseguiram os maus-tratos. Foi espancado constantemente, obrigado a sair nu no
pátio durante o inverno para ser revistado, nunca o deixaram trabalhar, não tinha acesso
aos meios de comunicação, e não lhe permitiam ler nem fazer curativos no olho, o que
provocou infecção. Às vezes a comida tinha vidro moído, urina, pedaços de ratos, e não era
servida quente nem em horários adequados. Por isso aumentaram os casos de tuberculose
e infecção. Sua mãe foi submetida a humilhações nas revistas para entrar no presídio.
Em meados de novembro de 1994, foi processado por juízes sem rosto, e foi absolvido.
Quando estava em liberdade foi hostilizado, perseguido, detido e estigmatizado como
terrorista por parte do Governo peruano. Por essas razões não pôde reintegrar-se à
sociedade peruana, o que o levou a pedir refúgio, inicialmente, na República da Bolívia e,
posteriormente, na República do Chile. Sua qualidade de vida depois dos fatos tem sido
muito precária, já que apresenta incapacidade física e danos neurológicos e psicológicos
consideráveis, razão pela qual sua saúde se deteriora cada dia mais, o que o impediu de
conseguir um trabalho ou estudar.
A testemunha solicita que se condene o Estado, que lhe sejam concedidas as medidas de
reparação e justa satisfação pertinentes, e que se punam penalmente os responsáveis pelos
atos que, de acordo com a legislação peruana, constituem genocídio praticado contra um
grupo político.
12.
Alfredo Poccorpachi Vallejos, suposta vítima
Encontrava-se preso no Presídio Castro Castro, acusado de terrorismo, no momento em que
ocorreram os fatos. Em 6 de maio de 1992, viu efetivos do DINOES (força de elite da
polícia) nos tetos dos pavilhões, nas rotundas, “com roupas de comando, fuzis e capuz”.