-38Ouviam-se tiros e explosões, e as bombas de gás lacrimogêneo chegaram até o pavilhão
4B, onde estava. As prisioneiras chegaram a esse pavilhão através de um duto. Desse
pavilhão “apela[ram] aos gritos às autoridades do presídio para que respeitassem a vida
das prisioneiras[,] cessassem o ataque e conversassem com os delegados, mas […] os
apelos ao Diretor do presídio foram em vão”. A interna Janet Talavera foi crivada de balas a
trinta metros dele, quando alguns internos saíam do pavilhão 4B.
Posteriormente, os internos foram transferidos para diferentes presídios sem que se
informassem seus familiares. A testemunha foi transferida para o presídio Lurigancho, onde
os internos foram “duramente espancados na presença da Promotora Mirtha Campos”.
Durante o trajeto para rumo desconhecido, os prisioneiros foram espancados. Os internos
foram submetidos a “espancamentos [e] tortura”. Na prisão “fo[ram] submetidos a um
isolamento absoluto, sem roupa e em geral sem a mais mínima provisão de necessidades
elementares”. Considera que “o objetivo era aniquilá-los sistematicamente tanto física como
moralmente, reduzindo-os a condições desumanas”.
Estava em tratamento médico porque sofria de tuberculose e, por conta dos fatos, seu
tratamento foi suspenso e sua “saúde piorou consideravelmente em virtude dos abusos a
que foi submetido, das bombas de gás lacrimogêneo e das múltiplas explosões nos
pavilhões, torturas e espancamentos”. Em consequência do ataque ao Presídio Castro
Castro sua tuberculose piorou, e “a falta de tratamento adequado ocasionado pela
brutalidade do sistema carcerário peruano [lhe] provocou cinco recaídas”. Também “sofr[e]
de gastrite crônica [devido] ao plano de isolamento e aniquilação a que [foi] submetido
depois dos fatos”. Também sofre de deficiência de irrigação cerebral em consequência dos
socos na cabeça, e tem fragmentos de granada no couro cabeludo. Essas e outras doenças
reduziram consideravelmente sua qualidade de vida. Particularmente, a tuberculose limitou
seu desenvolvimento no trabalho.
Apresentou quatro recursos de habeas corpus denunciando os abusos cometidos contra ele,
mas todos foram declarados improcedentes. Também lhe foram negados quatro pedidos de
liberdade condicional, três pedidos de comparecimento e duas queixas ao Controle Interno
do Poder Judiciário. Permaneceu na prisão por 18 anos e cinco meses, sem ser julgado ou
condenado, e foi liberado por “prescrição”, já que sua detenção ultrapassou a pena
correspondente ao crime que lhe atribuíam.
A testemunha e sua família sofreram danos psicológicos em consequência dos maus-tratos
e doenças, e dos fatos terríveis que presenciaram. “Todas as situações anteriores violaram
[seu] direito à vida, à saúde, ao trabalho, à igualdade perante a lei, e [sua] liberdade e
integridade física e mental”.
Entre seus “desejos de justiça, […] está a liberação dos sobreviventes que ainda se
encontram presos, o fim da perseguição aos sobreviventes, a restituição plena de seus
direitos e de sua honra perante a sociedade, e a punição dos responsáveis por esse ato
genocida”.
13.
Madelein Escolástica Valle Rivera, suposta vítima
Foi vítima dos fatos acontecidos de 6 a 9 de maio no Presídio Castro Castro. Estava presa
no pavilhão 1A, não havia sido sentenciada. Em 6 de maio de 1992, ouviu uma detonação
ao redor das 4h. Os membros das forças especiais atacaram o pavilhão 1A, e nos tetos de
outros pavilhões se encontravam francoatiradores disparando pelas janelas e pela cabine. O
ataque foi muito intenso, com todo tipo de armas, lança-granadas, bazucas, armas longas e
bombas de gás lacrimogêneo, bombas de gás vomitivo e bombas paralisantes. À medida