-39que transcorriam as horas aumentava a intensidade do ataque contra o pavilhão 1A e,
inclusive, lançaram bombas de um helicóptero de guerra que sobrevoava o presídio.
Observou que María Villegas foi ferida.
Aproximadamente às 17h do dia 6 de maio de 1992, a testemunha e outras prisioneiras,
entre as quais se encontravam mulheres grávidas, se refugiaram no pavilhão 4B, ao qual
conseguiram chegar pelos dutos do presídio. Os francoatiradores disparavam contra elas, e
muitas morreram na tentativa de chegar ao pavilhão 4B, como aconteceu com Vilma
Aguilar.
No dia seguinte, os ataques se reiniciaram às 5h. Os internos exigiram a presença da Cruz
Vermelha Internacional e de promotores e advogados como mediadores, mas foram
negados os pedidos de diálogo, cessar-fogo e assistência médica para os feridos e para as
prisioneiras grávidas. Finalmente, permitiu-se a saída de quatro delegados dos internos
para conversar com a promotora Mirtha Campos, que disse que “não ia permitir a
intervenção de nenhuma instituição alheia como mediadora do conflito”. Em nenhum
momento as autoridades lhes comunicaram que iam ser transferidas para outro presídio. As
internas “nunca [se] opuse[ram] à transferência de prisioneiros, só exigi[am] garantias para
[suas] vidas, e que a Cruz Vermelha Internacional, [seus] advogados, familiares e a
imprensa estivessem presentes”.
Em 9 de maio, foi demolido o pavilhão 4B com um canhão de guerra. Aproximadamente às
4h os prisioneiros decidiram sair e pediram às autoridades que não disparassem. Primeiro
saíram dois prisioneiros de mãos dadas, seguidos por um grupo de prisioneiros cantando a
Internacional. Os prisioneiros foram fuzilados pelos francoatiradores. Dois dos internos
morreram instantaneamente e outros ficaram gravemente feridos. Entre os mortos se
encontrava seu pai, Tito Valle, a quem viu morrer. Quando se encontrava na zona “terra de
ninguém” ouviu que os agentes estatais perguntavam pelos dirigentes. Nessa noite,
separaram os feridos em três grupos. O primeiro grupo foi levado durante a madrugada, e
os dois grupos restantes foram deixados a céu aberto de bruços no chão.
No dia seguinte foi transferida junto com outras prisioneiras para a prisão de Cachiche, em
Ica. Ao chegar, pôde perceber que não havia nenhum pavilhão em condições de abrigar
mais de 50 prisioneiras. Foram levadas para celas com camas de cimento, sem colchões ou
cobertores. Durante a permanência de um ano nesse presídio foi vítima de espancamento
por parte da polícia. Também foi vítima da hostilidade direta do diretor do presídio, que as
ameaçava constantemente e as espancava quando realizava suas denominadas “revistas”.
Também foram impedidas de falar em particular com os familiares, os quais sofreram em
consequência dessa “política de redução, isolamento e aniquilamento sistemático” de que
foram vítimas.
Em 7 de maio de 1993, foram transferidas para Lima, operação realizada em meio a
espancamentos por não aceitar o tratamento degradante a que foram submetidas. Ao
chegar ao presídio de segurança máxima de Chorrillos, foram arrastadas para fora do
ônibus e, posteriormente, foram espancadas com paus “da cabeça aos pés”. A partir dessa
data não lhes foi permitido sair ao pátio, trabalhar ou estudar, e a visita foi restringida a
uma vez por mês através de cabine, e por meia hora apenas. Quando se restabeleceu a
saída ao pátio, foi autorizada por somente meia hora para cada duas celas. Do mesmo
modo, no período de 1992 a 1998, não lhes foi permitido ter lápis ou papel, porque lhes foi
negado o direito de expressar-se livremente. Tampouco lhes foi permitido o acesso à
imprensa por um período de seis anos, razão pela qual lhes foi suprimido o direito à
informação. Quando se permitiu o acesso a certas publicações, vinham incompletas.