-94“Tratamento dispensado aos internos após a tomada dos pavilhões 1A e 4B” f) nos dias posteriores à operação denominada “Mudança 1” e até 22 de maio de 1992, inclusive, os internos individualizados na demanda foram obrigados a permanecer deitados de bruços nos pátios conhecidos como “terra de ninguém” e “admissão”, sem que lhes dessem água e alimento suficiente, ou lhes permitissem mudar de roupa, ou lhes oferecessem cobertores para abrigar-se ou um colchão onde se deitar, embora muitos presos tivessem ficado feridos durante o ataque; g) nas alegações finais escritas salientou que os internos feridos transferidos para centros de saúde foram novamente maltratados no trajeto até esses estabelecimentos, e que houve novas tentativas de execução extrajudicial. Foram submetidos a condições sanitárias inadequadas e moralmente degradantes, o que é particularmente grave no caso das mulheres. Muitos dos feridos, embora ainda não tivessem conseguido se recuperar, receberam alta com o único propósito de levá-los novamente à prisão, destacando-se as experiências das senhoras Gaby Balcázar e Miriam Rodríguez, e do filho da senhora Julia Peña Castillo, Víctor Olivos Peña, relatadas no curso da audiência pública perante a Corte; h) nas alegações finais escritas, salientou que as internas foram tratadas pelos agentes estatais com particular desprezo e crueldade desde o início do ataque. As “situações [de violação] tiveram consequências particularmente graves para as vítimas mulheres, várias delas grávidas”. O ataque se iniciou no único pavilhão da prisão ocupado por mulheres, e após o término da operação foram submetidas a condições que atentavam contra sua dignidade como mulheres. As internas reinstaladas em prisões de mulheres foram vítimas de maus-tratos físicos e psicológicos durante a transferência e dentro dos estabelecimentos penitenciários para os quais foram levadas. Do mesmo modo, as feridas transferidas para os hospitais foram despidas e obrigadas a permanecer assim por semanas, rodeadas de indivíduos armados, sem permissão para se assear ou usar os serviços sanitários, a não ser acompanhadas de um guarda armado que não lhes permitia fechar a porta; i) nas alegações finais escritas, destacou que as mulheres foram vítimas de uma história de discriminação e exclusão por sexo, que as fez mais vulneráveis ao abuso quando se executam atos violentos contra grupos determinados, como os privados de liberdade, por diferentes motivos. A violência contra as mulheres é uma estratégia de guerra que os atores do conflito armado usam para avançar no controle do território e dos recursos. Além disso, essas agressões servem como tática para humilhar, aterrorizar, destruir e ferir o “inimigo”, seja o núcleo familiar, seja a comunidade a que pertence a vítima; “Falta de assistência médica aos internos feridos” j) após a rendição dos internos, entre os dias 10 e 22 de maio de 1992, aproximadamente 160 presos feridos durante a execução da “Operação Mudança 1", e que haviam sido subjugados pelas forças de segurança peruana, deixaram de receber assistência médica adequada e oportuna, o que provocou o agravamento de suas lesões, e em alguns casos deu lugar a sequelas físicas permanentes; k) em situações de ferimentos graves, decorrentes do uso da força por parte de autoridades estatais, a norma que consagra o direito à integridade pessoal exige que o Estado adote medidas imediatas para salvaguardar a integridade física da pessoa que se encontra sob custódia da polícia, das autoridades judiciais ou das autoridades

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