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108. A mesma testemunha informou à Corte que o Coronel Leónidas Torres Arias,
que havia sido chefe da inteligência militar hondurenha, disse, numa conferência de
imprensa no México, que Manfredo Velásquez foi desaparecido por um esquadrão
especial, sob o comando do Capitão Alexander Hernández, cumprindo ordens diretas
do General Gustavo Álvarez Martínez (testemunho de Zenaida Velásquez).
109. O oficial Hernández afirmou que jamais recebeu nenhuma ordem para deter
Manfredo Velásquez e que tampouco trabalhou na área operativa policial (testemunho
de Alexander Hernández).
110. O Governo impugnou, com base no artigo 37 do Regulamento, o testemunho de
Zenaida Velásquez por ser irmã da suposta vítima, o que, em sua opinião, a faz ter
interesse direto no resultado do julgamento.
111. A Corte, por unanimidade, rejeitou a impugnação formulada, porque considerou
que a circunstância de que a testemunha fosse irmã da vítima não bastava para
inabilitá-la, reservando-se o direito de apreciar essa declaração.
112. O Governo argumentou que as declarações da testemunha são irrelevantes, já
que as mesmas não se reduzem ao fato investigado pela Corte e o que expressou
sobre o sequestro de seu irmão não lhe consta pessoalmente, mas sim por ter
escutado.
113. O ex-integrante das Forças Armadas que disse pertencer ao grupo que
praticava sequestros, manifestou à Corte que, mesmo que ele não tenha intervindo no
sequestro de Manfredo Velásquez, o Tenente Flores Murillo comentou-lhe como havia
ocorrido. Foi sequestrado, segundo este testemunho, no centro de Tegucigalpa numa
operação em que participou o Sargento José Isaías Vilorio, uns senhores de
pseudônimos Ezequiel e Titanio e o mesmo Tenente Flores Murillo. O Tenente relatoulhe que Ezequiel disparou a arma e feriu a Manfredo numa perna, já que houve briga;
o sequestrado foi levado à INDUMIL (Indústrias Militares) e torturado; prontamente
trasladado em mãos dos executores os quais, por ordem do General Álvarez, Chefe
das Forças Armadas, levaram-no de Tegucigalpa e o mataram com punhal e facão.
Seu corpo foi desmembrado e os restos enterrados em diferentes lugares (testemunho
de Florencio Caballero).
114. O atual Diretor do Serviço de Inteligência manifestou que José Isaías Vilorio foi
arquivista da DNI. Disse não conhecer o Tenente Flores Murillo e afirmou que a
INDUMIL nunca serviu como centro de detenção (testemunho de Roberto Núñez
Montes).
115. Uma testemunha afirmou que foi preso em 29 de setembro de 1981, por cinco
ou seis elementos que se identificaram como membros das Forças Armadas, os quais o
trasladaram aos escritórios da DNI. Dali foi levado vendado num carro a um lugar
desconhecido onde foi torturado. Em 1º de outubro de 1981, enquanto estava detido,
através do buraco de uma fechadura faltante na porta para um quarto vizinho, o
chamou uma voz queixosa e dolorida, que lhe disse que era Manfredo Velásquez e
pediu-lhe ajuda. Segundo seu testemunho, nesse momento entrou o Tenente Ramón
Mejía, que ao vê-lo de pé o golpeou, ainda que tenha dito que havia levantado por
estar cansado. Acrescentou que, posteriormente, o Sargento Carlos Alfredo Martínez,
com quem fez amizade no bar no qual a testemunha trabalhava, disse-lhe que haviam