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respeitá-la e a ela se adequar.
III.
ADEQUAÇÃO DO DIREITO INTERNO ÀS NORMAS DA CONVENÇÃO
AMERICANA
7.
Mesmo as Constituições nacionais hão de ser interpretadas ou, se necessário,
até emendadas para manter harmonia com a Convenção e com a jurisprudência da
Corte Interamericana de Direitos Humanos. De acordo com o artigo 2º da Convenção,
os Estados comprometem-se a adotar medidas pala eliminar normas legais e práticas
de quaisquer espécies que signifiquem violação a ela e, também ao contrário,
comprometem-se a editar legislação e desenvolver ações que conduzam ao respeito
mais amplo e efetivo da Convenção14.
8.
Um bom exemplo jurisprudencial é o Caso Última Tentação de Cristo (Olmedo
Bustos e outros vs. Chile. Sentença de 5 de fevereiro de 2001. Série C No. 73), como
se observa da fundamentação acerca da exata interpretação e alcance que se deve dar
ao artigo 2º da Convenção Americana:
89. Esta Corte tem presente que, em 20 de janeiro de 1997, a Corte de Apelações de
Santiago ditou sentença em relação ao presente caso, a qual foi confirmada pela Corte
Suprema de Justiça do Chile em 17 de junho de 1997. Por não estar de acordo com os
fundamentos destas sentenças, em 14 de abril de 1997, o governo do Chile apresentou,
ao Congresso um projeto de reforma constitucional para eliminar a censura
cinematográfica. A Corte valora e destaca a importância da iniciativa do Governo de
propor a mencionada reforma constitucional, porque pode conduzir a adequar o
ordenamento jurídico interno ao conteúdo da Convenção Americana em matéria
de liberdade de pensamento e de expressão. O Tribunal constata, entretanto, que
apesar do tempo transcorrido a partir da apresentação do projeto de reforma ao
Congresso, ainda não foram adotadas, conforme o previsto no artigo 2 da Convenção, as
medidas necessárias para eliminar a censura cinematográfica e permitir, assim, a
exibição do filme 'A Última Tentação de Cristo'”. (destacamos)
9.
Naquele caso, no voto concorrente do Juiz Cançado Trindade, têm-se
expressões ainda mais incisivas:
“4. [...] A convenção Americana, juntamente com outros tratados de direitos humanos,
"foram concebidos e adotados com base na premissa de que os ordenamentos
jurídicos internos devem se harmonizar com as disposições convencionais, e
não vice-versa” (parágrafo 13). [e]m definitiva, adverti, “[N]ão se pode
legitimamente esperar que essas disposições convencionais se „adaptem‟ ou se
subordinem às soluções de direito constitucional ou de direito público interno,
que variam de país a país [...]. A Convenção Americana, ademais de outros
tratados de direitos humanos, buscam, a contrario sensu, ter no direito interno
dos Estados Parte o efeito de aperfeiçoá-lo, para maximizar a proteção dos
direitos consagrados, acarretando, nesse propósito, sempre que necessário, a
revisão ou revogação de leis nacionais [...] que não se conformem com seus
parâmetros de proteção.” (parágrafo 14) (destacamos)
14
Cf. Caso “A Última Tentação de Cristo” (Olmedo Bustos e outros) versus Chile. Mérito, Reparações
e Custas. Sentença de 5 de fevereiro de 2001. Série C No. 73, pars. 85 e seguintes.
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