povoados de Los Toriles, Ranchería e Jocote Amarillo, assim como do cantão Cerro Pando, tiveram, em uma medida ou outra, sua integridade pessoal afetada por uma ou várias das seguintes situações: a) por medo de que fossem mortos, foram obrigados a deixar seus lares e ir para os montes, colinas, rios e bosques montanhosos para refugiar-se sozinhos ou com suas famílias em grutas, em casas de pessoas conhecidas e em outros lugares de proteção na região, onde permaneceram por dias sem alimento nem água suficiente; b) a partir dos locais nos quais haviam se escondido, ouviram e, em alguns casos, presenciaram como os efetivos militares ingressaram nas casas de seus familiares, vizinhos e conhecidos, os retiraram delas, os mataram e queimaram, ouvindo os gritos de auxílio enquanto eram brutalmente massacrados. Além disso, escutaram os disparos de armas de fogo, tiroteios, bombardeios e a explosão de granadas; c) uma vez que perceberam que os efetivos militares haviam se retirado voltaram aos lugares, encontrando os cadáveres das vítimas executadas, incluindo os seus familiares e entes queridos, queimados e/ou em avançado estado de decomposição e, em alguns casos, incompletos pois haviam sido devorados por animais; d) em alguns casos não lhes foi possível, no momento, enterrar os cadáveres que encontraram porque os efetivos militares ainda andavam pela região; e) dias depois passaram a enterrar os restos sem vida de seus familiares, entre eles, esposas, filhas e filhos, mães, irmãos e irmãs e sobrinhos, assim como de seus conhecidos e vizinhos, como também encontraram cadáveres que não conseguiram identificar, e f) alguns sobreviventes buscaram por dias os restos de seus familiares e entes queridos sem conseguir encontrálos. 171. Assim mesmo, da prova apresentada decorrem situações específicas que ilustram de maneira especial a forma como foram afetadas algumas das vítimas sobreviventes. A senhora Rufina Amaya declarou que, no lugar onde conseguiu se esconder pôde ouvir “os gritos das crianças de que as estavam matando” e, entre eles, “distinguiu os gritos de seus filhos que diziam: ‘Mamá Rufina, estão nos matando, estão nos enforcando, estão nos metendo a faca’ […] depois se deu conta que os haviam matado”. 223 O senhor Juan Bautista Márquez Argueta explicou que no lugar onde estava escondido com sua família caíram “várias bombas que afetaram seu filho mais novo, de dois meses de idade, chamado Jesús Salvador, pois devido às explosões, isto é, ao ruído das bombas, sentiu-se mal e faleceu no dia seguinte, [e] cujo cadáver tiveram que carregar por dois dias, pois não podiam enterrálo”. 224 O senhor Juan Antonio Pereira Vigil afirmou que optou por “sair da casa e se escondeu a meia quadra, entre uma plantação de sisal, sendo visto pelos efetivos do batalhão Atlacatl, de maneira que […] rod[ou] entre as plantações, onde pôde observar como os soldados ingressaram em sua casa e retiraram seus familiares[,] os organizaram em grupos e depois ouviu os tiros e a explosão de granadas […, mais tarde] procederam ao III, anexo 23 à submissão do caso, folhas 1774 a 1777); Declaração testemunhal prestada por Remigio Márquez perante o Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 29 de julho de 1992 (expediente de prova, tomo III, anexo 23 à submissão do caso, folhas 2299 a 2300); Declaração juramentada prestada por Rufina Amaya ao Escritório de Tutela Legal da Arquidiocese em 10 de outubro de 1990 (expediente de prova, tomo II, anexo 20 à submissão do caso, folha 1578); Declaração juramentada prestada por Cesar Martínez Hernández ao Escritório de Tutela Legal da Arquidiocese em 22 de junho de 2011 (expediente de prova, tomo VIII, anexo 3 ao escrito de petições, argumentos e provas, folhas 5547 a 5548), e Declaração testemunhal prestada por Irma Ramos Márquez perante o Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 31 de outubro de 1990 (expediente de prova, tomo III, anexo 23 à submissão do caso, folhas 1668 a 1670). 223 Declaração juramentada prestada por Rufina Amaya ao Escritório de Tutela Legal da Arquidiocese em 10 de outubro de 1990 (expediente de prova, tomo II, anexo 20 à submissão do caso, folha 1576). Ver também, Declaração testemunhal prestada por Rufina Amaya perante o Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 30 de outubro de 1990 (expediente de prova, tomo III, anexo 23 à submissão do caso, folha 1662). 224 Declaração prestada perante agente dotado de fé pública (affidavit) por Juan Bautista Márquez Argueta em 1º de abril de 2012 (expediente de prova, tomo XVII, affidavits, folha 10276). 63

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