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169. A esse respeito, a Corte reitera que o artigo 11.2 da Convenção Americana se relaciona
estreitamente com o direito a que se proteja a família e a viver nela, reconhecido no artigo 17 da
Convenção, segundo o qual o Estado é obrigado não somente a dispor e executar diretamente
medidas de proteção das crianças, mas também a favorecer, da maneira mais ampla, o
desenvolvimento e a força do núcleo familiar.182 O Tribunal estabeleceu que a separação de
crianças da família constitui, em certas condições, uma violação do citado direito,183 pois inclusive
as separações legais da criança de sua família só são procedentes se devidamente justificadas.184
170. No que concerne aos artigos 11.2 e 17.1 da Convenção Americana, o direito de toda
pessoa a receber proteção contra ingerências arbitrárias ou ilegais em sua família faz parte,
implicitamente, do direito à proteção da família e, além disso, está expressamente reconhecido
nos artigos 12.1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos,185 V da Declaração Americana de
Direitos e Deveres do Homem,186 17 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos187 e 8
da Convenção Europeia.188 Essas disposições revestem especial relevância quando se analisa a
separação da criança da família.189
171. Segundo a jurisprudência do Tribunal Europeu, o desfrute mútuo da convivência entre
pais e filhos constitui um elemento fundamental da vida em família,190 e o artigo 8 da Convenção
Europeia tem como objetivo preservar o indivíduo contra as ingerências arbitrárias das
autoridades públicas e estabelecer obrigações positivas a cargo do Estado em prol do respeito
efetivo da vida familiar.191
172. Com respeito ao conceito de família, diversos órgãos de direitos humanos criados por
tratados salientaram que não existe um modelo único de família, porquanto esse modelo
182
Cf. Parecer Consultivo OC-17/02, nota 122 supra, par. 66; e Caso Chitay Nech e outros, nota 30 supra, par. 157.
Cf. Parecer Consultivo OC-17/02, nota 122 supra, par. 71 e 72; e Caso Chitay Nech e outros, nota 30 supra, par.
157.
183
Cf. Parecer Consultivo OC-17/02, nota 122 supra, par. 77.
184
O artigo 12.1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece que “[n]inguém sofrerá intromissões
arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra
e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito à proteção da lei.”
185
O artigo V da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem dispõe que “[t]oda pessoa tem direito à
proteção da lei contra os ataques abusivos à sua honra, à sua reputação e à sua vida particular e familiar”.
186
O artigo 17 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos estabelece que “[n]inguém poderá ser objeto de
ingerências arbitrárias ou ilegais em sua vida privada, em sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência,
nem de ofensas ilegais à sua honra e reputação”.
187
Nesse sentido, o artigo 8.1 da Convenção Europeia dispõe que “[qualquer] pessoa tem direito ao respeito da sua
vida privada e familiar, do seu domicílio e da sua correspondência”. O artigo 8.2 também dispõe que “[N]ão pode
haver ingerência da autoridade pública no exercício deste direito senão quando esta ingerência estiver prevista na lei
e constituir uma providência que, numa sociedade democrática, seja necessária para a segurança nacional, para a
segurança pública, para o bem-estar econômico do país, a defesa da ordem e a prevenção das infrações penais, a
proteção da saúde ou da moral, ou a proteção dos direitos e das liberdades de terceiros”.
188
189.
Cf. Parecer Consultivo OC-17/02, nota 122 supra, par. 71.
190.
Cf. Parecer Consultivo OC-17/02, nota 122 supra, par. 72, citando T.E.D.H., Caso Buchberger Vs. Áustria, (no
32.899/96), Sentença de 20 de dezembro de 2001. Final, 20 de março de 2003, par. 35; Caso K. e T. Vs. Finlândia (no
25.702/94), Sentença de 12 de julho de 2001, par. 151; Caso Elsholz Vs. Alemanha (no 25.735/94), G.C., Sentença
de 13 de julho de 2000, par. 43; Caso Bronda Vs. Itália (no 22.430/93), Sentença de 9 junho de 1998, par. 51; e Caso
Johansen Vs. Noruega (no 17.383/90), Sentença de 7 de agosto de 1996, par. 52.
191
.
Cf. T.E.D.H., Caso Olsson Vs. Suécia (no 10.465/83), Sentença de 24 de março de 1988, par. 81.