36 meios para esclarecer fatos ocorridos dentro de seu território. 97 No presente caso, a falta de esclarecimento dos fatos responde principalmente à destruição desta prova, de importância fundamental, enquanto se encontrava em custódia do Estado. iv) Outros elementos de convicção 113. Além disso, a Corte considera que a credibilidade do relato da senhora Fernández Ortega aparece respaldada por outros elementos de convicção. A Comissão Nacional de Direitos Humanos, em sua recomendação 048/2003, menciona a existência de um laudo psiquiátrico realizado por uma perita médica registrada naquele órgão estatal, “no qual afirma que a vítima esteve exposta a um acontecimento traumático”. 98 Além disso, um relatório psicológico realizado na senhora Fernández Ortega no ano de 2009 concluiu que “existe coerência entre os fatos narrados […] do estupro e os sintomas psicológicos sofridos, sendo estas reações emocionais típicas de uma vítima de estupro por parte de alguma autoridade”. 99 O Estado rejeitou este último documento em sua contestação da demanda, de maneira genérica, afirmando que “seu conteúdo não possui nenhuma relação com a [lide] do caso”. Entretanto, a Corte observa que o mesmo corresponde a uma avaliação psicológica da senhora Fernández Ortega em relação ao impacto que os fatos do caso tiveram sobre sua pessoa. Em consequência, o Tribunal não considera que o afirmado nesta avaliação psicológica, nem o indicado na recomendação 048/2003 sobre este aspecto tenha sido desacreditado, nem que a autenticidade de tais documentos foi colocada em dúvida. 114. Adicionalmente, a Corte conta com as declarações da filha dela, Noemí Prisciliano Fernández, as quais são congruentes com o afirmado pela senhora Fernández Ortega sobre os momentos imediatamente anteriores e posteriores ao estupro. 100 Em igual sentido, a Corte conta com os testemunhos do senhor Prisciliano Sierra, da senhora Eugenio Manuel e dos senhores Lugo Cortés e Ramírez Rodríguez que, embora, de fato, não tenham sido testemunhas presenciais dos fatos, presenciaram, sim, os momentos posteriores e assistiram a suposta vítima desde que tiveram conhecimento do ocorrido. De seus testemunhos se observa que, quando viram a senhora Fernández Ortega pela primeira vez 97 Cf. Caso Velásquez Rodríguez. Mérito, nota 27 supra, par. 135; Caso Escher e outros Vs. Brasil. Exceções Preliminares, Mérito, Reparações e Custas. Sentença de 6 de julho de 2009. Série C Nº 200, par. 127, e Caso Radilla Pacheco, nota 33 supra, par. 89. 98 Cf. Recomendação nº 048/2003, emitida pela Comissão Nacional de Direitos Humanos, nota 87 supra, folha 578. 99 De acordo com o indicado no relatório mencionado, a psicóloga interveniente realizou um acompanhamento da senhora Fernández Ortega do ano de 2006 até o momento de emitir o relatório, no ano de 2009, e para realizar esta avaliação teve 30 reuniões com a paciente, Cf. Avaliação do impacto psicológico, nota 30 supra, folha 5697. 100 Noemí Prisciliano Fernández declarou: “eu estava dentro de minha casa com minha mãe […] quando chegaram [três] soldados […] eu me assustei e saí correndo [com meus três irmãos] para a [casa de] meu av[ô], [onde] nos fechamos já que [tinhamos] medo”, declaração de Noemí Prisciliano Fernández perante o Ministério Público do Foro Comum, nota 83 supra, folha 4401. Ademais, manifestou: “já havia passado um bom tempo quando saí da casa de meu av[ô] e fui para minha casa e ao chegar vi que minha mãe estava sentada chorando”. Afirmou que “[o]s três soldados que chegaram ao princípio entraram à casa, por onde estava o fogão, e foram para onde estava minha mãe comigo e com meus três irmãos e aí foi quando atacaram minha mãe; […] eu não sabia o que estava acontecendo, mas lembro que primeiro tiraram seu vestido, e depois um deles baixou sua calça e bateu na minha mãe com sua mão, enquanto que os outros soldados continuavam lhe apontando. Então meus irmãos e eu ficamos muito nervosos […], portanto, saímos correndo para a casa de meus av[ós]”. Finalmente manifestou: “[c]omo eu continuava muito preocupada pela minha mãe, depois de um tempo me aproximei outra vez da casa. Depois que se foram, junto com meu avô e meus irmã[os] voltamos para onde estava minha mãe, e estava jogada chorando pelo que lhe fizeram os soldados”, declaração prestada perante agente dotado de fé pública por Noemí Prisciliano Fernández, nota 68 supra, folhas 1492 e 1493.

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