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madeireira também se afeta uma grande variedade de produtos florestais não derivados da
madeira, que são utilizados pelos membros do povo Saramaka para subsistir e comercializar.
149. Nesse sentido, o mapa realizado pelo perito Dr. Peter Poole, e que foi apresentado
perante a Corte, demonstra a ocupação e o uso das terras e recursos outorgados em concessão
dentro do território Saramaka por parte de pessoas e empresas alheias a este povo.150 Segundo a
prova apresentada, os integrantes do povo Saramaka estiveram utilizando extensamente as
áreas outorgadas a empresas madeireiras para caçar e pescar, assim como para obter uma
grande variedade de produtos florestais.151
150. O Capitão Chefe Wazen Eduards,152 o Capitão Ceasar Adjako,153 a senhora Silvi Adjako,154
e o senhor Hugo Jabini,155 por exemplo, todos declararam que as atividades das empresas
madeireiras dentro do território tradicional Saramaka eram altamente destrutivas e produziram
um dano massivo em uma área substantiva da floresta do povo Saramaka e nas funções
ecológicas e culturais que esta proporcionava. A senhora Silvi Adjako, por exemplo, declarou que
as empresas madeireiras “destruíram nossa floresta e inutilizaram parte de nossa terra porque
bloquearam os córregos e deixaram que a água assentasse sobre a terra. Antes disso, podíamos
usar a floresta livremente e com tranquilidade e constituía uma grande comodidade e apoio para
nós.”156 Esta declaração também está respaldada pela declaração do senhor Hugo Jabini, que
acrescentou que estas empresas "deixaram a floresta totalmente arruinada onde trabalham. Não
se pode seguir utilizando grande parte da floresta para colher e os animais também se afastam
destas áreas. Foram bloqueados os córregos, inundou-se a área e se converteu em um pântano.
Tornou-se inutilizável e os espíritos estão totalmente ofendidos”.157
151. As observações das testemunhas Saramaka estão corroboradas pela pesquisa realizada
pelos peritos Dr. Roberto Goodland e Dr. Peter Poole, que visitaram as áreas sujeitas a
concessões e seus arredores entre os anos 2002 e 2007.158 Em termos gerais, o Dr. Goodland
manifestou que “os impactos sociais, ambientais e de outra natureza das empresas madeireiras
são graves e traumáticos”,159 e que “a exploração florestal foi realizada por debaixo dos padrões
mínimos aceitáveis para operações desse tipo".160 O Dr. Goodland a caracterizou como “entre as
explorações florestais pior planejadas, mais
Cf. Mapa II, apresentado por Peter Poole perante a Comissão Interamericana durante a audiência pública do
5 de março de 2006 (expediente de anexos à demanda, anexo 15, folha 172).
150
151
Cf. Affidavit do Dr. Peter Poole, nota 69 supra (folha 1965).
152
Cf. Testemunho do Capitão Chefe e Fiscali Wazen Eduards, nota 61 supra (transcrição de audiência pública,
pp. 4-5).
153
Cf. Testemunho do Capitão Ceasar Adjako, nota 68 supra (transcrição de audiência pública, p. 16).
154
Cf. Affidavit de Silvi Adjako, nota 98 supra (folha 1924).
Cf. Affidavit de S. Hugo Jabini de 3 de abril de 2007 (expediente de affidavits e observações, anexo 6, folhas
1937-38).
155
156
Affidavit de Silvi Adjako, nota 98 supra, (folha 1924).
157
Cf. Affidavit de S. Hugo Jabini, nota 158 supra (folha 1938).
Cf. Affidavit do Dr. Robert Goodland de 27 de abril de 2007 (expediente de affidavits e observações, anexo
3, folhas 1887-1894), e Affidavit do Dr. Peter Poole, nota 69 supra (folhas 1964-65).
158
159
Cf. Affidavit do Dr. Robert Goodland, nota 161 supra (folha 1888).
160
Cf. Affidavit do Dr. Robert Goodland, nota 161 supra (folha 1892).
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