equipe do programa “Hora da Notícia” e, posteriormente, como diretor do departamento de telejornalismo.55
Nesses anos, Vladimir Herzog promoveu o conceito da responsabilidade social da imprensa56 e começou a ser
vigiado por agentes repressivos, por sua suposta militância no Partido Comunista Brasileiro.57 Também
realizou uma importante reportagem a respeito da primeira década do regime militar.58
75.
Um mês antes de seu assassinato, em setembro de 1975, Herzog assumiu o cargo de diretor
de jornalismo da TV Cultura.59 Os órgãos de informação militares que operavam secretamente nessa emissora
caracterizaram o jornalista “como um problema para o regime militar”,60 e reportaram que o seu regresso ao
meio de comunicação evidenciava “[a] reabertura de um processo de infiltração de esquerda naquele veículo
de comunicação subsidiado pelo governo do estado”.61 Essa visão foi compartilhada publicamente por
deputados estaduais que acusaram a emissora pública de proselitismo em favor do comunismo.62
C.
Prisão arbitrária, tortura e morte de Vladimir Herzog
76.
Em 17 de outubro de 1975, um colega de trabalho de Vladimir Herzog, o jornalista Paulo
Sérgio Markun, foi detido por agentes do Destacamento de Operações de Informação/Centro de Operações de
Defesa Interna do II Exército em São Paulo (DOI/CODI/SP). Em 19 de outubro de 1975, Paulo Sérgio Markun
pediu a seu pai que informasse a Vladimir Herzog de que ele também estava sendo apontado como militante
do PCB e possivelmente seria preso.63 Em 20 de outubro de 1975, o pai de Markun advertiu Vladimir Herzog
de que ele seria chamado a prestar declarações.64
77.
O jornalista comunicou o ocorrido ao Dr. Rui Nogueira Martins, Presidente da Fundação
Padre Anchieta (patrocinadora da TV Cultura). Herzog também se dirigiu à Secretaria de Cultura do estado de
São Paulo, à qual a TV Cultura estava ligada, para informar o fato ao Secretário de estado da época, o senhor
55 Anexo 12. DANTAS, Audálio. As duas guerras de Vlado Herzog. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira, 2012, p. 63-64.
Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014; Anexo 13. Comissão de Familiares e Desaparecidos Políticos. “1975:
Vladimir Herzog”. In: Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil, 1964-1985. 2ª edição, 2007, fl. 626. Anexo à
comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014; Anexo 11. Brasil. Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos
Humanos. Direito à Memória e à Verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília, Secretaria Especial dos
Direitos Humanos, 2007, fl. 408. Anexo à comunicação do Estado de 18 de junho de 2012.
55 Anexo 12. DANTAS, Audálio. As duas guerras de Vlado Herzog. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira, 2012, p. 63.
Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014; Anexo 11. Brasil. Presidência da República. Secretaria Especial dos
Direitos Humanos. Direito à Memória e à Verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília, Secretaria
Especial dos Direitos Humanos, 2007, fl. 408. Anexo à comunicação do Estado de 18 de junho de 2012.
56 Anexo 3. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Volume III. Parte III, “Mortos e desaparecidos políticos”, fl. 1794, de 10
de dezembro de 2014. Anexo à comunicação do Estado de 12 de agosto de 2015; Anexo 11. Brasil. Presidência da República. Secretaria
Especial dos Direitos Humanos. Direito à Memória e à Verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília,
Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2007, fl. 408. Anexo à comunicação do Estado de 18 de junho de 2012.
57 Anexo 3. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Volume III. Parte III, “Mortos e desaparecidos políticos”, fl. 1794, de 10
de dezembro de 2014. Anexo à comunicação do Estado de 12 de agosto de 2015.
58 Anexo 14. NERY, João Elias. “Páginas de Cultura, resistência e submissão: livros na revista visão”. Em Questão, Porto Alegre, v.
13, n. 2, jul./dez. de 2007, p. 290. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014; Anexo 12. DANTAS, Audálio. As
duas guerras de Vlado Herzog. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira, 2012, p.60. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de
dezembro de 2014.
59 Anexo 12. DANTAS, Audálio. As duas guerras de Vlado Herzog. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira, 2012, p. 66.
Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014; Anexo 15. GASPARI, Elio. A Ditadura Encurralada. São Paulo,
Companhia das Letras, 2004, p. 173. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014.
60 Anexo 2. Informe da Comissão Nacional da Verdade. Volume I. Parte III, “Métodos e práticas nas graves violações de direitos
humanos e suas vítimas”. Capitulo 11 – (E) Execuções e mortes decorrentes de tortura, fl. 474, de 10 de dezembro de 2014. Anexo à
comunicação do Estado de 12 de agosto de 2015.
61 Anexo 2. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Volume I. Parte III, “Métodos e práticas nas graves violações de direitos
humanos e suas vítimas”. Capitulo 11 – (E) Execuções e mortes decorrentes de tortura, fl. 474, de 10 de dezembro de 2014. Anexo à
comunicação do Estado de 12 de agosto de 2015.
62 Anexo 16. Diário Oficial do Estado de São Paulo. Imprensa Oficial. São Paulo. 9 de outubro de 1975, fl. 62. Anexo à
comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014.
63 Anexo 17. Processo Nº 2008.61.81.013434-2, Justiça Federal, São Paulo, Volume 5, fl. 921 (número de página ilegível) –
Depoimento de Paulo Sérgio Markun no Inquérito Policial Nº 704/92, de 30 de junho de 1992. Anexo à comunicação dos Peticionários de
11 de dezembro de 2014.
64 Anexo 18. Processo Nº 2008.61.81.013434-2, Justiça Federal, São Paulo, Volume 3, fl. 577 – Depoimento de Clarice Herzog no
Inquérito Policial Militar, de 27 de novembro de 1975. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014.
15