outubro de 1975, Vladimir Herzog foi sepultado no Cemitério Israelita do Butantã, com a presença de
“centenas de pessoas”.112
89.
Entre as pessoas presentes no funeral, encontravam-se quatro jornalistas que estiveram
detidos no DOI/CODI/SP.113 Esses jornalistas receberam instruções na manhã de 27 de outubro de 1975 para
ir ao funeral de Vladimir Herzog; caso o fizessem, “[p]oder[iam] incluso dormir em casa naquela noite”.114
Segundo um dos jornalistas presentes no funeral, “o objetivo, aparentemente, era mostrar que os outros
jornalistas estavam bem”.115 De acordo com o depoimento do jornalista Rodolfo Osvaldo Konder, quando
estavam no funeral, George Benigno Jatahy Duque Estrada e ele ficaram sabendo que haviam sido citados na
nota oficial emitida pelo II Exército como “delatores de Vladimir Herzog”.116 Também indicou que ao retornar
ao DOI/CODI/SP, exigiram “a retificação da nota”, pela qual foram ameaçados por uma pessoa identificada
como “Dr. Paulo”. Segundo Konder, o “Dr. Paulo” lhes disse que “[a] nota do Segundo Exército [lhes] havia
colocado numa situação extremamente perigosa, porque a qualquer momento [eles] poder[iam] ser
‘justiçados’ por elementos do Partido Comunista”.117
90.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) afirmou que a morte e
a tortura de Vladimir Herzog foram ““[c]omo gota d’água para que se aflorasse um forte repudio da opinião
publica, na imprensa e na sociedade civil como um todo, contra a repetição de encenações aviltantes (de
suicídio) para tentar encobrir a verdadeira rotina dos porões do regime”.118 Ao receberem a notícia da morte
de Vladimir Herzog, vários jornalistas “[p]aralisaram muitas redações em São Paulo”.119 Do mesmo modo, o
Sindicato dos Jornalistas declarou vigília permanente e mais de 30 mil estudantes protestaram, paralisando a
Pontifica Universidade Católica (PUC), a Universidade de São Paulo e a Fundação Getúlio Vargas.120 Apesar da
tentativa do comandante do II Exército de fechar as grandes avenidas que conduziam à Praça da Sé para
evitar manifestações durante um ato ecumênico na Catedral da Sé em homenagem ao jornalista, esse ato
contou com a presença de cerca de 8 mil pessoas.121 Assim, o assassinato de Vladimir Herzog “[f]oi um dos
mais divulgados e documentados do período da ditadura, sendo considerado um marco na luta de
resistência”.122
D.
Atuações no âmbito interno
112 Anexo 12. DANTAS, Audálio. As duas guerras de Vlado Herzog. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira, 2012, p. 242.
Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014.
113 Anexo 24. Processo Nº 2008.61.81.013434-2, Justiça Federal, São Paulo, Volume 2, fl. 280, Declarações a termo de Rodolfo
Osvaldo Konder, de 7 de novembro de 1975. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014.
114 Anexo 24. Processo Nº 2008.61.81.013434-2, Justiça Federal, São Paulo, Volume 2, fl. 280 – Declarações a termo de Rodolfo
Osvaldo Konder, de 7 de novembro de 1975. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014
115 Anexo 12. DANTAS, Audálio. As duas guerras de Vlado Herzog. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira, 2012, p. 243.
Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014.
116 Anexo 12. Processo Nº 2008.61.81.013434-2, Justiça Federal, São Paulo, Volume 2, fl. 280, Declarações a termo de Rodolfo
Osvaldo Konder, de 7 de novembro de 1975. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014.
117 Anexo 12. Processo Nº 2008.61.81.013434-2, Justiça Federal, São Paulo, Volume 2, fl. 280 – Declarações a termo de Rodolfo
Osvaldo Konder, de 7 de novembro de 1975. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014.
118 Anexo 1. Brasil. Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Direito à Memória e à Verdade:
Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2007, fl. 27. Anexo à
comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de 2014.
119 Anexo 11. Brasil. Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Direito à Memória e à Verdade:
Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2007, fl. 408. Anexo à
comunicação do Estado de 18 de junho de 2012.
120 Anexo 13. Comissão de Familiares e Desaparecidos Políticos. “1975: Vladimir Herzog”. In: Dossiê Ditadura: Mortos e
Desaparecidos Políticos no Brasil, 1964-1985. 2ª edição, 2007, fl. 627. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de
2014.
121 Anexo 13. Comissão de Familiares e Desaparecidos Políticos. “1975: Vladimir Herzog”. In: Dossiê Ditadura: Mortos e
Desaparecidos Políticos no Brasil, 1964-1985. 2ª edição, 2007, fl. 627. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de
2014; Anexo 11. Brasil. Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Direito à Memória e à Verdade: Comissão
Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2007, fl. 408. Anexo à comunicação
do Estado de 18 de junho de 2012.
122 Anexo 13. Comissão de Familiares e Desaparecidos Políticos. “1975: Vladimir Herzog”. In: Dossiê Ditadura: Mortos e
Desaparecidos Políticos no Brasil, 1964-1985. 2ª edição, 2007, fl. 627. Anexo à comunicação dos Peticionários de 11 de dezembro de
2014.
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