de forma a simular um enforcamento”.276
136.
Em seu relatório final, a CNV afirmou “não existir mais qualquer dúvida acerca das
circunstâncias da morte de Vladimir Herzog, detido ilegalmente, torturado e assassinado por agentes do
Estado nas dependências do DOI-CODI do II Exército, em São Paulo, em outubro de 1975”.277 A esse respeito,
o relatório concluiu que:
“Diante das investigações realizadas, conclui-se que Vladimir Herzog morreu em decorrência de ação perpetrada
por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela
ditadura militar implantada no país a partir de abril de 1964, restando desconstruída a versão de suicídio
divulgada à época dos fatos. As inciativas da CNV, tanto em entregar à família a certidão de óbito retificada,
quanto em concluir análise pericial que evidencia o homicídio de Vladimir Herzog, foram passos concretos na
luta pela elucidação [das] graves [violações] de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar.
Recomenda-se a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso para a identificação e
responsabilização dos demais agentes envolvidos”.278
137.
Do mesmo modo, em seu Relatório Final, a CNV recomenda,279 entre outras coisas:
“Determinação, pelos órgãos competentes, da responsabilidade jurídica – criminal, civil e administrativa – dos
agentes públicos que deram causa às graves violações de direitos humanos ocorridas no período investigado
pela CNV, afastando-se, em relação a esses agentes, a aplicação dos dispositivos concessivos de anistia inscritos
nos artigos da Lei Nº 6683, de 28 de agosto de 1979 e em outras disposições constitucionais e legais”.280
VI.
ANÁLISE DE MÉRITO
A.
Análise da violação do Artigo I (Direito à vida, à liberdade, à segurança e integridade
da pessoa) e do Artigo XXV (Direito de proteção contra prisão arbitrária) da
Declaração Americana
138.
O Artigo I da Declaração Americana dispõe que “[t]odo ser humano tem direito à vida, à
liberdade e à segurança de sua pessoa”.
139.
Por sua vez, o Artigo XXV da Declaração estabelece que:
“Ninguém pode ser privado da sua liberdade, a não ser nos casos previstos pelas leis e segundo as
praxes estabelecidas pelas leis já existentes.
[…] Todo indivíduo, que tenha sido privado da sua liberdade, tem o direito de que o juiz verifique sem
demora a legalidade da medida, e de que o julgue sem protelação injustificada, ou, no caso contrário, de
ser posto em liberdade. Tem também direito a um tratamento humano durante o tempo em que o
privarem da sua liberdade”.
140.
No presente caso, os peticionários alegaram que a prisão arbitrária, tortura e execução do
jornalista Vladimir Herzog constituíram uma grave violação de direitos humanos, enquadradas em padrões
sistemáticos, resultando na violação dos artigos I e XXV da Declaração Americana, em prejuízo do jornalista.
276 Anexo 3. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Volume III, “Mortos e desaparecidos políticos”, Maio de 1974
Outubro de 1985, Parte I, fl. 1796, de 10 de dezembro de 2014. Anexo à comunicação do Estado de 12 de agosto de 2015.
277 Anexo 3. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Volume III, “Mortos e desaparecidos políticos”, Maio de 1974
Outubro de 1985, Parte I, fl. 1796, de 10 de dezembro de 2014. Anexo à comunicação do Estado de 12 de agosto de 2015.
278 Anexo 3. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Volume III, “Mortos e desaparecidos políticos”, Maio de 1974
Outubro de 1985, Parte I, fl. 1799, de 10 de dezembro de 2014. Anexo à comunicação do Estado de 12 de agosto de 2015.
279 Anexo 2. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Volume I, Parte V, “Conclusões e recomendações”, Capítulo 18
Conclusões e recomendações, II RECOMENDAÇÕES – (A) Medidas Institucionais. fls. 964-975, de 10 de dezembro de 2014. Anexo
comunicação do Estado de 12 de agosto de 2015.
280 Anexo 2. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Volume I, Parte V, “Conclusões e recomendações”, Capítulo 18
Conclusões e recomendações, II RECOMENDAÇÕES – (A) Medidas Institucionais. fl. 965, de 10 de dezembro de 2014. Anexo
comunicação do Estado de 12 de agosto de 2015.
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