- 35 - Ismael havia sido capturado por “elementos do BROE” e desaparecido forçadamente. Ademais, segundo informação recebida pela CEH, Manuel Ismael foi recluso no sótão de um museu. 96. Em 17 de fevereiro de 1984, a família interpôs o primeiro recurso de exibição pessoal e, nesse mesmo dia, o juiz enviou um telegrama ao chefe do quarto corpo da Polícia Nacional, o qual foi respondido em 21 de fevereiro, indicando que ele não se encontrava detido nesse corpo. Em 5 de março, o pai de Manuel Ismael denunciou o desaparecimento na Polícia Nacional e no dia seguinte interpôs outro recurso de exibição pessoal. Em 16 de julho de 1984, um juiz de primeira instância interpôs um recurso de exibição pessoal na Polícia Nacional, mas obteve um resultado negativo. Em agosto, o pai do senhor Salanic Chiguil denunciou os fatos ao Ministro de Governo e este solicitou à Polícia Nacional que investigase o desaparecimento. Em 15 de outubro de 1984, a Polícia Nacional emitiu um despacho indicando que não havia localizado o senhor Salanic Chiguil “por cujo motivo contin[uaria] com a investigação”. Em 26 de outubro, foi requerido o comparecimento do pai do senhor Salanic Chiguil. No entanto, em novembro desse ano, o DIT registrou que “a investigação […] até o momento não foi realizada”. Igualmente, em dezembro de 1984, a Polícia Nacional enviou a denúncia do caso ao Primeiro Juiz de Paz Penal. 97. Em 9 de agosto de 1985, a Corte Suprema de Justiça decretou a exibição pessoal do senhor Salanic Chiguil e ordenou que fosse solicitada informação ao Ministério da Defesa Nacional, ao Ministério de Governo e aos chefes de polícia do país, entre outros. Em resposta, o DIT afirmou que “revisados os livros de controle e registros […] comprovou-se que [o senhor Salanic Chiguil] não havia […] sido registrado […] nem detido […] por elementos deste Departamento”. Em dezembro de 1985, foi realizado novamente um recurso de exibição pessoal em seu nome perante a Polícia Nacional Civil, resultando negativo. 98. Além disso, em 30 de maio de 1986, foi interposto outro recurso de exibição pessoal. Esse ano, o Ministério de Governo solicitou à Polícia Nacional que reabrisse a investigação do caso e informasse sobre os avanços da mesma. A família relatou que comissões do DIT examinaram a casa, interrogaram os familiares sobre o sucedido e informaram que “havia sido estabelecido que seu filho havia sido levado mas que não sabiam para onde”. Nestas investigações, foi encontrado um projétil calibre 9 milímetros na casa, o qual, segundo o pai, era “utilizado unicamente pelas forças armadas”. 99. Adicionalmente, em novembro de 1984, o caso passou a ser de conhecimento do então Chefe de Estado e da Comissão Tripartite, formada pelos Ministérios Público, de Governo e da Defesa Nacional. O desaparecimento também foi comunicado à Comissão Interamericana, que, por sua vez, trasladou a denúncia ao Estado sem obter resposta. Paralelamente, a família denunciou os fatos a meios de comunicação e buscou Manuel Ismael em centros de detenção e hospitais. O pai continuou com as denúncias através do GAM e da Associação de Familiares de Detidos Desparecidos da Guatemala (doravante, “FAMDEGUA”). 100. Em 1988, denunciaram os fatos perante a PDH. Esta solicitou informação, entre outros, à Polícia Nacional, ao Comandante da Zona Militar nº 1 e ao tribunal onde havia sido interposto o recurso de exibição pessoal. Este último respondeu indicando as diligências que havia realizado incluindo citar o pai de Manuel Ismael, o qual, segundo indicou o tribunal, não teria comparecido. O Tribunal também afirmou que havia declarado o recurso improcedente já que havia sido estabelecido que Manuel Ismael Salanic Chiguil havia aparecido no mesmo dia e que existia um equívoco na denúncia pois o nome “do desaparecido [era] Manuel Ismael Salamic Tuc”. A PDH conseguiu também recolher

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