79.
Em 26 de março de 2002, a companhia CGC apresentou, perante o Ministério,
documentação referente à atualização do Plano de Manejo Ambiental e Plano de Monitoramento
para as atividades de prospecção sísmica 2D88 no Bloco 23. Em 17 de abril
de 2002, foram
solicitados dados antecedentes para determinar se o projeto a ser executado correspondia às
mesmas áreas e características do projeto sísmico aprovado em
26 de agosto de 1997, criando um plano operacional para que, à medida que se fosse
desenvolvendo o plano de exploração sísmica, se fosse avançando em temas como educação,
saúde, projetos produtivos, infraestrutura e apoio comunitário.
80.
Em 13 de abril de 2002, a Associação dos Sarayaku enviou uma comunicação ao
Ministério de Energia e Minas na qual manifestou sua oposição à entrada das companhias
petrolíferas em seu território ancestral.89
81.
Mediante ofício de 2 de julho de 2002, e considerando que o projeto aprovado em 1997
não havia sido executado por motivo de força maior, “relacionado com as ações das comunidades
indígenas”, e que a área correspondente é a mesma estabelecida nesse ano, aprovou-se a
atualização do Plano de Manejo Ambiental e Plano de Monitoramento para as atividades de
prospecção sísmica 2D no Bloco 23.
82.
Em 26 de agosto de 2002, a companhia CGC apresentou ao Ministério de Energia e Minas
os seguintes cinco acordos de investimento com comunidades, ou associações indígenas,
assinados em 6 de agosto de 2002, perante o Segundo Cartório do Cantão Pastaza: Organização
FENAQUIPA, USD$194.000,00; Organização AIEPRA, comunidade de Jatun Molino e
comunidades independentes de Sarayaku, USD$194.900,00; Federação FENASH-P,
USD$150.000,00; Associação de Centros Indígenas de PACAYAKU, USD$222.600,00; e
Comunidade Achuar de SHAIMI, USD$50.600,00. Esses acordos baseavam-se em contribuições
para projetos produtivos, infraestrutura, capacitação laboral, saúde e educação,90 e
sustentavam-se num plano operacional, na medida em que se desenvolvesse a sísmica em seus
territórios.
83.
Segundo informou o Estado, em setembro de 2002, a companhia CGC solicitou ao
Ministério de Energia e Minas a suspensão da força maior, o que implicava a possibilidade
de
retomar as atividades de exploração ou extração.
84.
Em 13 de novembro de 2002, a companhia CGC apresentou um primeiro relatório de
andamento do projeto sísmico 2D, no qual se ressaltava que, até aquela data, se havia avançado
25% nos acordos comunitários e que, como parte da divulgação do plano de gestão ambiental
específico, realizara-se uma reunião com os comunicadores sociais da Cidade de Puyo e
autoridades da Província.
85.
Em 22 de novembro de 2002, o Vice-Presidente e as Conselheiras da Junta Paroquial
Rural de Sarayaku apresentaram uma queixa perante a Defensoria Pública. Alegaram que o
contrato de prospecção sísmica 2D, a ser executada no Bloco 23, constituía uma violação dos
artigos 84.5 e 88 da Constituição Política do Equador, em concordância com o artigo
28.2 da Lei de Gestão Ambiental, e solicitaram: a) que a Empresa CGC respeitasse o território
correspondente à jurisdição da Paróquia Sarayaku; b) a imediata saída do pessoal das Forças
Armadas que oferecia proteção aos trabalhadores da empresa CGC; e c) o
Cf. Relatório do Ministério de Energia e Minas sobre as atividades desenvolvidas no Bloco 23 (expediente de
prova, tomo 8, folha 4.779); Ofício no 155 do Ministério de Energia e Minas (expediente de prova, tomo 8, folhas
4.798 e ss.).
88
Cf. Comunicação da Associação dos Sarayaku ao Ministro de Energia e Minas de 13 de abril de 2002
(expediente de prova, tomo 10, folhas 6.111 e 6.112).
89
Cf. Relatório de atividades do Bloco 23 CGC. Ofício enviado pela CGC ao senhor Ab. Gustavo Gutiérrez em 24
de dezembro de 2002. Ofício no 155 DM-DINAPA-CSA-870 0212389 (Anexo 14, tomo 8, folha. 4.797).
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