5
controvérsias, como o suposto plano do Estado de incrementar o nível da reserva, o que ainda se
encontra pendente de resolução por parte das autoridades internas do Suriname.
15.
Outrossim, durante a audiência pública celebrada no presente caso, foi perguntado à
Comissão como "caracterizaria a informação adicional apresentada pelos representantes a
respeito dos supostos efeitos da reserva sobre o povo Saramaka".6 A Comissão respondeu que
“na demanda e no relatório do artigo 50 há uma única frase a respeito da reserva e de seus
efeitos” e, portanto, caracterizou esta informação como "um fato de contexto histórico".7
Diferentemente de outros casos,8 a Comissão não alegou que estes antecedentes contextuais e
históricos se relacionam com o objeto da controvérsia.
16.
Em consequência, de acordo com a estrutura e o objeto da demanda, bem como com o
próprio esclarecimento da Comissão sobre o modo no qual estes supostos fatos deveriam ser
interpretados no presente caso, a Corte considera que a Comissão apenas propôs esta questão
como um antecedente contextual relativo à história da controvérsia no presente caso, mas não
como uma questão a ser resolvida pela Corte. Por essa razão, de acordo com as limitações a
respeito da participação das supostas vítimas no procedimento perante esta Corte, o Tribunal
considera que os fundamentos de fato para os argumentos dos representantes a respeito não
correspondem ao alcance da controvérsia de acordo com o marco fático estabelecido pela
Comissão na demanda.
17.
À luz das considerações mencionadas e a fim de preservar o princípio de certeza jurídica e
o direito de defesa do Estado, a Corte considera que os argumentos dos representantes quanto
aos supostos efeitos contínuos e permanentes associados à construção da reserva Afobaka não
são admissíveis.
IV
EXCEÇÕES PRELIMINARES
18.
Na contestação da demanda, o Estado apresentou diversas exceções preliminares, as
quais serão analisadas pela Corte na seguinte ordem:
A)
PRIMEIRA EXCEÇÃO PRELIMINAR
Falta de legitimação dos peticionários perante a Comissão Interamericana
19.
O Estado alegou em sua primeira exceção preliminar que nenhum dos dois peticionários
originais, a saber, a Associação de Autoridades Saramaka e os doze capitães Saramaka, tinham
legitimidade para apresentar uma petição perante a Comissão Interamericana. Especificamente,
o Estado argumentou que os peticionários não consultaram o Gaa’man, que é a suposta
autoridade máxima dos Saramaka, sobre a apresentação desta denúncia. Esta suposta
desconsideração em relação aos costumes e tradições Saramaka equivale, de acordo com o
Estado, ao descumprimento dos requisitos do artigo 44 da Convenção, em vista de que os
peticionários, segundo se alega, não
Pergunta da Juíza Macaulay durante a audiência pública perante a Corte nos dias 9 e 10 de maio de 2007
(transcrição da audiência pública, p. 90).
6
Resposta da Comissão à pergunta feita pela Juíza Macaulay durante a audiência pública no presente caso
(transcrição da audiência pública, p. 91).
7
Cf. Caso Servellón García e outros Vs. Honduras. Mérito, Reparações e Custas. Sentença de 21 de setembro
de 2006. Série C Nº 152; Caso Goiburú e outros Vs. Paraguai. Mérito, Reparações e Custas. Sentença de 22 de
setembro de 2006. Série C Nº 153, e Caso do Massacre de La Rochela Vs. Colômbia. Mérito, Reparações e Custas.
Sentença de 11 de maio de 2007. Série C Nº 163.
8
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