35 131. Depois de várias semanas do desaparecimento forçado de Florencio Chitay, Marta Rodríguez Quex e seus filhos Pedro, Eliseo, Estermerio e María Rosaura Chitay Rodríguez regressaram a San Martín Jilotepeque e, segundo os representantes, permaneceram nesse lugar até aproximadamente o ano de 1984, data em que se mudaram de forma definitiva, ao terem conhecimento de que os responsáveis pelo desaparecimento de seu pai buscavam membros sobreviventes da família. 132. A Corte observa que nem a Comissão nem os representantes afirmaram concretamente o que suscedeu no período entre o regresso dos familiares do senhor Chitay Nech à comunidade de San Martín Jilotepeque e o dia 9 de março de 1987, quando a Guatemala reconheceu a competência contenciosa do Tribunal. No entanto, em consideração do contexto em que ocorreram os fatos, das declarações das supostas vítimas, das testemunhas, bem como dos pareceres dos peritos, o Tribunal considera provado o seguinte: 133. Ao ocorrer o desaparecimento de Florencio Chitay, a família Chitay Rodríguez permaneceu na cidade da Guatemala por aproximadamente dois meses. Devido à sua precária condição, regressaram ao município134 onde enfrentaram sérias dificuldades para residir, visto que a maioria de seus familiares não queria recebê-los por temor de sofrer represálias.135 O único familiar que lhes ofereceu ajuda foi o pai de Marta Rodríguez Quex,136 que lhes ofereceu moradia e alimentação na aldeia de Xejuyú, localizada aproximadamente a oito quilômetros de San Martín Jilotepeque, onde viveram até a ocorrência de novos atos de violência.137 Tentaram reconstruir sua casa no município e nela viver, mas não puderam permanecer, já que havia um contexto de estigmatização por parte dos vizinhos.138 Encarnación Chitay, o filho mais velho com 15 anos de idade, permaneceu na Cidade da Guatemala trabalhando, onde foi objeto de perseguições, 139 não regressou a San Martín Jilotepeque porque considerava que “[o] mata[riam]” e não teve contato com sua família por aproximadamente cinco anos e meio.140 Pedro e Eliseo não puderam conviver por muito tempo com sua mãe em seu lugar de origem, já que também, com posterioridade, tiveram de se mudar para a capital. No ano de 1983, Pedro Chitay ingressou, com uma bolsa de estudo, em um internato para estudar,141 enquanto Eliseo Chitay mudou-se para ajudar a sua tia que lhe pagava seus estudos, mas, depois que esta faleceu, viu-se na necessidade de regressar ao Município de San Martín Jilotepeque e se A este respeito afirmou que “ficamos na cidade por aproximadamente 2 meses”. Cf. Declaração de Pedro Chitay Rodríguez, nota 55 supra. 134 135 Testemunho Pedro Chitay Rodríguez, nota 56 supra, f. 83. Cf. Testemunho Eliseo Chitay Rodríguez, nota 57 supra; testemunho de Amada Rodríguez Quex prestado perante agente dotado de fé pública em 19 de abril de 2007 (anexos à demanda, anexo 1, f. 92); declaração de Pedro Chitay Rodríguez, nota 55 supra; declaração de Encarnación Chitay Rodríguez, nota 58 supra, e declaração de Estemerio Chitay Rodríguez, supra nota 131. 136 137 Cf. Testemunho de Gabriel Augusto Guerra, nota 58 supra, e declaração de Pedro Chitay Rodríguez, nota 55 supra. Declaração de Pedro Chitay, nota 55 supra, na qual manifestou: “[f]omos objeto de perseguição; daí em diante, não pudemos habitar a casa que tinhamos no município, porque os vizinhos falavam mal de meu pai, pensavam que tudo o que muita gente dizia, que sabiam no que estava envolvido e que, por isso, lhe havia ocorrido o que lhe ocorreu.” 138 Testemunho de Encarnación Chitay Rodríguez, nota 57 supra, f. 78; testemunho Rodríguez, nota 56 supra, f. 83, e testemunho de Amada Rodríguez Quex, nota 136 supra. 139 140 Declaração de Encarnación Chitay Rodríguez, nota 58 supra. 141 Cf. Declaração de Pedro Chitay Rodríguez, nota 55 supra. de Pedro Chitay

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