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74.
Em 24 de outubro de 1983, Orencio Sosa Calderón encontrava-se no hospital e, como
parte de seu trabalho, operou dois feridos à bala, a quem não conhecia. Segundo o relato de
companheiros de trabalho a sua família, quando os feridos ainda se encontravam anestesiados,
quatro homens chegaram para levá-los, mas o senhor Sosa Calderón negou- se e lhes solicitou
uma ordem judicial. Os homens teriam ameaçado o senhor Sosa Calderón. No dia seguinte,
quatro homens com metralhadoras interceptaram o senhor Sosa Calderón nas imediações do
hospital onde trabalhava, teriam retirado-o de seu veículo, do qual se apoderaram, e teriam
levado-o em uma pick-up branca sem placas. Ademais, algumas testemunhas relataram à
família que na operação teriam ocorrido disparos de bala, o que coincide com o registrado no
Diário Militar. Nesse mesmo dia, os feridos que o senhor Sosa Calderón operou foram removidos
do hospital e desde essa data se desconhece o paradeiro do mesmo.
75.
A esposa do senhor Sosa Calderón e suas três filhas mudaram-se para a Cidade da
Guatemala e no caminho foram seguidas por um carro com homens armados. Posteriormente,
foram para o México para sua segurança. A família denunciou os fatos à policía, aos tribunais,
meios de comunicação e, em 1983, reuniram-se com o Chefe de Estado, entre outras ações, sem
resultado. Também percorreram todos os necrotérios do país e os cemitérios do municipio de
Chimaltenango.
76. Logo após a denúncia, em 1984, a Polícia Nacional entrevistou a irmã do senhor Sosa
Calderón e, em 1985, o tribunal a cargo do caso fez constar que não tinha nenhuma pessoa
indiciada ou detida e que não possuía informação sobre o paradeiro do senhor Sosa Calderón. A
CEH incluiu o caso do senhor Sosa Calderón na seção de casos “apresentados” de seu relatório
final, indicando, com base em uma “simples presunção”, que foi capturado por supostos
membros da força de segurança e desaparecido forçadamente.
3. Oscar Eduardo Barillas Barrientos78
77.
Oscar Eduardo Barillas Barrientos tinha 35 anos, era o segundo de três irmãos e vivia na
cidade da Guatemala, onde era professor de educação primária. Havia sido estudante de
arquitetura da Universidade de San Carlos da Guatemala e trabalhado no Departamento de
Conservação de Monumentos e Sítios. Além disso, realizava documentários sobre diferentes
temas incluindo a luta dos movimentos sociais. Estava vinculado à Juventude Patriótica e à
Comissão Militar do Partido Guatemalteco do Trabalho
A prova em relação a esta vítima se encontra em: Diário Militar (expediente de anexos ao Relatório de
Mérito, Tomo I, Anexo 11, folha 364); cópia do certidão de nascimento de Oscar Eduardo Barillas Barrientos
(expediente de anexos apresentados pelo Estado em 17 de outubro de 2008, Tomo II, folha 6680); declaração de
Bertha Fely Barrientos de Barillas, Juan Francisco Barillas Barrientos e Edgar Leonel Barrillas Barrientos prestadas
perante notário em 22 de novembro de 2004 (expediente de anexos ao Relatório de Mérito, Tomo I, Anexo 30, folhas
568 a 570); declaração filmada de Juan Francisco Barrillas Barrientos autenticada em 25 de março de 2008
(expediente de anexos ao Relatório de Mérito, Tomo I, Anexo 31, folha 573); Ofício nº 03679 de 9 de julho de 1986
dirigido ao primeiro Vice-Ministro de Governo (expediente de anexos ao Relatório de Mérito, Tomo I, Anexo 32, folha
579); Ofício nº 4154 de 18 de julho de 1986 do Ministério de Governo a Berta Barrientos de Barillas (expediente de
anexos apresentados pelo Estado em 17 de outubro de 2008, Tomo II, folha 6679); denúncia de Juan Francisco
Barillas Barriento perante a PDH de 27 de maio de 2004 e Providência REF-EXP-ORG-GUA-453- 2004/DI de 27 de
maio de 2004 (expediente de anexos ao Relatório de Mérito, Tomo I, Anexo 33, folhas 582 a 584 e 585); AHPN,
relatório de notícias de 16 de julho de 1984, GT PN 51-01 S004, nº 4231 (expediente de anexos ao escrito de petições
e argumentos, Tomo VI, Anexo D8, folha 11478); AHPN, Resolução da Corte Suprema de Justiça de 9 de agosto de
1985 e Nota nº 19795 do DIT à Corte Suprema de Justiça de 11 de agosto de 1985, GT PN 50 S005, nº 13401 e
13402 (expediente de anexos ao escrito de petições e argumentos, Tomo VI, Anexo D26, folhas 11749, 11753,
11764 e 11765); AHPN, Nota da denúncia de 29 de dezembro de 1983, GT PN 50-08 S001, 13190 (expediente de
anexos ao escrito de petições e argumentos, Tomo VI, Anexo D27, folha 11846), e Providência nº 0080-SISI-84-o1n
do DIT de 25 de setembro de 1984 (expediente de anexos apresentados pelo Estado com escritos de 20 de março de
2008 e 10 de outubro de 2008, Anexo B, folha 5242).
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