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83. LUZ HAYDEE MENDEZ CALDERON
(s) CHAVE Nome falso: SOFIA ESTRADA Membro do Secretariado do PGT-CC. Encarregada de assuntos
internacionais e propaganda do partido. Quando (s) JULIAN vinha do México, chegava à casa de (s) Chave.
Seu esposo MARCO ANTONIO SANTIZO VELASQUEZ, (s) TITO ou CAVALON, é o responsável pelo Escritório
onde se reune a DN. na Zona 10, 4to. nível do Edifício Rodríguez. 1968, esteve na Rússia. 08- 03-84: Foi
capturada na 3a. Avenida 22-15 Zona 19, Colonia San Francisco. 02-05-84 Passou a U-4.
112. No Arquivo Histórico da Polícia Nacional, apareceram em 2005 dois documentos
consistentes em duas fichas de 30 de março de 1984, onde são registrados os dados de duas
pessoas que supostamente teriam participado na captura de Luz Haydée Méndez Calderón, um
dos quais possuía credenciais do Serviço de Inteligência do Exército e da Direção Geral da Guarda
de Fazenda.
113. Sua filha, Wendy Santizo Méndez, com nove anos no momento da captura de sua mãe,
declarou e denunciou os fatos que rodearam a captura e posterior desaparecimento de sua mãe.
De acordo com o relato de Wendy Santizo Méndez, ao chegar esse dia à sua casa junto com seu
irmão, dentro se encontraram com aproximadamente dez pessoas vestidas de militares, os
quais a teriam interrogado sobre as atividades de seus pais. Logo após trancá-los no quarto de
seus pais (enquanto sua mãe estava em outra parte da casa), os teriam separado e, de acordo
com Wendy Santizo Méndez, um dos homens que estava participando na operação de captura de
sua mãe a teria violentado sexualmente.
114. Depois teriam sido levados ao pátio da casa onde continuaram os maus tratos e
interrogatórios e teriam sido submetidos a simulações de fusilamento. Wendy declarou que
quase não reconheceu sua mãe em virtude dos golpes recebidos e que os teriam obrigado a
presenciar como lhe “retiravam as unhas, uma após a outra com um alicate”. Além disso, em
um momento, teria visto que lhe dispararam no estômago. Posteriormente, teriam sido
trasladados (ela, seu irmão e sua mãe) “a [uma] delegacia da Polícia Nacional”. Declarou que,
ainda que “não recordasse a ordem de tudo o que suscedeu ali”, “aplicaram descargas elétricas
no corpo de[la e de seu irmão] e fo[ram] obrigados a ver como faziam o mesmo [à sua] mãe”.
Dias depois, Wendy e Igor Méndez Calderón foram devolvidos a sua casa. A família os trasladou
à casa da avó em Jutiapa, onde viveram dois anos até que foram para o Canadá reencontrar seu
pai. A irmã da senhora Méndez Calderón expressou ter sido objeto de ameaças no ano do
desaparecimento.
115. De acordo com a irmã da senhora Méndez Calderón, quando uma vizinha ligou para a
Polícia Nacional para perguntar sobre o que estava ocorrendo na casa da família Santizo Méndez,
indicaram-lhe que era uma operação. No relatório da CEH, foi registrado que uma testemunha
que esteve detida disse ter visto “no lugar de seu cativeiro” uma mensagem na parede que dizia:
“[a]qui esteve Luz Haydée Méndez de Santizo”.
116. A família buscou a senhora Méndez Calderón em hospitais, centros de detenção e
delegacias de polícia. Em 9 e 10 de março, interpuseram recursos de exibição pessoal em seu
favor e, dias depois, comunicaram os fatos ao Ministério de Governo e este à Polícia Nacional. Em
16 de julho de 1984, um juiz de primeira instância se apresentou ao Segundo Corpo da Polícia
Nacional para interpor um recurso de exibição pessoal e o resultado foi negativo. Em outubro de
1984, a Direção Geral da Polícia Nacional fez constar em seus registros que “até a presente data
não foi possível esclarecer [o caso], constatando-se que não havia[…] sido detid[a …] nem se
encontra[…] em nenhum centro asistencial”. O Ministério de Governo chegou à mesma
conclusão. Em 9 de agosto de 1985, a Corte Suprema de Justiça decretou a exibição pessoal da
senhora Méndez Calderón e ordenou que fosse solicitada informação ao Ministério da Defesa
Nacional, ao Ministério de Governo e aos chefes de polícia do país, entre outros. Em resposta, o
DIT indicou que “revisados os livros de controle e registros […] comprovou-se que [a senhora
Méndez Calderón] não havia […]