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125. O senhor Estrada Illescas desapareceu em 15 de maio de 1984, na Cidade da Guatemala.
Segundo informação recebida pela família, aproximadamente às 11 da manhã, ao sair de uma
barbearia em busca de seu carro, Otto René teria sido interceptado por homens fortemente
armados. Ao se opor à sua captura, os homens teriam disparado. O reitor da Universidade de
San Carlos informou à sua esposa que “Otto estava vivo em uma prisão clandestina”, ainda que
posteriormente tenha se retratado destas declarações.
126. No mesmo dia, a família interpôs um recurso de exibição pessoal e o juiz se apresentou no
Departamento de Investigações Criminais onde lhe informaram que não havia sido detido por
esse departamento. No dia seguinte, a família começou a denunciar os fatos a meios de
comunicação. Em sua busca, visitaram o necrotério, percorreram os lugares frequentados por
Otto René, encontraram seu carro e uma testemunha lhes relatou os fatos do dia anterior. Em 17
de maio de 1984, foi interposto outro recurso de exibição pessoal e o juiz encarregado
compareceu à Polícia Nacional, onde lhe indicaram que o senhor Estrada Illescas não aparecia
como detido no livro de ingressos. Em junho, um agente da Polícia Nacional foi à casa do senhor
Estrada Illescas e entrevistou sua esposa. Em 16 de julho de 1984, um juiz de primeira instância
se apresentou novamente na Polícia Nacional para interpor um recurso de exibição pessoal e o
resultado foi negativo. Em setembro, o DIT concedeu uma audiência aos familiares. Em agosto e
outubro de 1984, a Polícia Nacional registrou que “[p]or carecer de dados suficientes que levem
ao esclarecimento tanto da vítima como dos sequestradores, até a presente data não foi
possível esclarecer [o caso]”.
127. Em 9 de agosto de 1985, a Corte Suprema de Justiça decretou a exibição do senhor
Estrada Illescas e ordenou que fosse solicitada informação ao Ministério da Defesa Nacional, ao
Ministério de Governo e aos chefes de polícia do país, entre outros. Em resposta, o DIT indicou
que “revisados os livros de controle e registro […] comprovou-se que [o senhor Estrada Illescas]
não havia […] sido registrado[…] nem detido[…] por elementos deste Departamento”. Em
dezembro, outro juiz apresentou-se à Polícia Nacional para interpor um recurso de exibição
pessoal, entretanto, o resultado foi negativo.
128. A esposa do senhor Estrada Illescas, Beatriz María Velásquez Diaz, reuniu-se com o Chefe
de Estado em várias oportunidades, quem lhe afirmou, em maio de 1984, que havia sido
ordenada uma “investigação exaustiva sobre [o] caso”. Beatriz declarou que, com a mudança de
governo, o novo Presidente ofereceu “buscar em cemitérios clandestinos cadáveres, mas […]
apenas receb[eu] um relatório no qual se indicava que [seu] esposo havia sido procurado em
toda parte e não havia aparecido, [e] lhe foi oferecido seguir um processo judicial para declarar a
suposta morte”. A CEH incluiu o desaparecimento de Otto Estrada Illescas dentro dos
antecedentes à repressão que, segundo a CEH, sofreram os membros da Associação de
Estudantes Universitários.
129. Na noite do desaparecimento de Otto René, Beatriz foi com seu filho para a casa de seus
pais por segurança. Em uma oportunidade, teria sido ameaçada pelo Diretor da Polícia Nacional
para que “não divulgasse a notícia no âmbito internacional”. Beatriz declarou ter sido perseguida
após a fundação do GAM.
18. Julio Alberto Estrada Illescas92
A prova em relação a esta vítima se encontra em: Diário Militar (expediente de anexos ao Relatório de
Mérito, Tomo I, Anexo 11, folha 403); declaração de Beatriz María Velásquez Diaz prestada perante notário em 22 de
janeiro de 2005 (expediente de anexos ao Relatório de Mérito, Tomo II, Anexo 104, folhas 961 a 965); declaração de
María Hercilia Illescas Paiz, viúva de Estrada, prestada perante notário pública em 29 de novembro de 2004
(expediente de anexos ao Relatório de Mérito, Tomo II, Anexo 105, folha 968); declaração de Paulo René Estrada
Velásquez prestada perante notário em 20 de dezembro de 2004 (expediente de anexos ao Relatório de
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