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como tais pela Comissão Interamericana no relatório de mérito a que se refere o artigo
50 da Convenção Americana e no escrito de demanda60.
VII
DIREITO AO RECONHECIMENTO DA PERSONALIDADE JURÍDICA,
À VIDA, À INTEGRIDADE E À LIBERDADE PESSOAIS
EM RELAÇÃO ÀS OBRIGAÇÕES DE RESPEITAR E GARANTIR OS DIREITOS
81.
Com a finalidade de examinar a alegada responsabilidade internacional do Brasil
pela violação dos direitos ao reconhecimento da personalidade jurídica 61, à vida62, à
integridade63 e à liberdade64 pessoais, em relação às obrigações de respeito e
garantia65, o Tribunal sintetizará as alegações das partes, estabelecerá os fatos que
considera provados e fará as considerações pertinentes. No presente caso, os fatos
foram estabelecidos, fundamentalmente, com base em documentos oficiais, tais como
a Lei No. 9.140/95, os Relatórios da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos
Políticos, do Ministério da Defesa sobre a Guerrilha do Araguaia e da Comissão
Interministerial criada para investigar as circunstâncias dos desaparecimentos
ocorridos no marco da Guerrilha.
A. Alegações das partes
82.
A Comissão Interamericana indicou que a prática de desaparecimentos forçados
é um crime contra a humanidade e que o presente caso “reveste a particular
transcendência histórica de que os fatos ocorreram em um contexto de prática
sistemática de detenções arbitrárias, torturas, execuções e desaparecimentos forçados
perpetrado[s] pelas forças de segurança do governo militar, nos quais os agentes
estatais […] utilizaram a investidura oficial e recursos outorgados pelo Estado para
[fazer] desaparecer a todos os membros da Guerrilha do Araguaia”. Com exceção de
alguns poucos casos iniciais de prisão e tortura, todos os membros da Guerrilha
detidos foram desaparecidos. Os autores ocultaram todas as provas dos delitos e
escaparam de toda punição; “quiseram criar um „limbo jurídico‟, implantando-o através
da negativa estatal de reconhecer que as vítimas estavam sob sua custódia, ou dando
informações contraditórias sobre seu paradeiro, provocando deliberadamente a
impossibilidade da vítima exercer seus direitos, e mantendo seus familiares num vazio
60
Expediente de anexos à demanda, apêndice 3, tomo VII, folhas 3553 a 3558 e expediente de
mérito, tomo I, folhas 37 a 42.
61
O artigo 3 da Convenção estabelece que “[t]oda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua
personalidade jurídica”.
62
O artigo 4.1 da Convenção estabelece que “[t]oda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida.
Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser
privado da vida arbitrariamente”.
63
O artigo 5.1 da Convenção Americana estabelece que “[t]oda pessoa tem o direito de que se
respeite sua integridade física, psíquica e moral.”
64
O artigo 7.1 da Convenção Americana estabelece que “[t]oda pessoa tem direito à liberdade e à
segurança pessoais”.
65
O artigo 1.1 da Convenção dispõe que “[o]s Estados Partes nesta Convenção comprometem-se a
respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que
esteja sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião,
opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento
ou qualquer outra condição social”.
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