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qual expressava que o senhor Ivcher poderia perder a nacionalidade peruana por ter posto
em perigo a segurança nacional ao ter transmitido informações que desprestigiavam as
Forças Armadas. Em 19 de setembro seguinte lhe retiraram o Canal.
c)
Testemunho de Fernando Viaña Villa, Diretor Geral de Imprensa do
Canal 2 na época em que Baruch Ivcher Bronstein era Presidente de seu
Conselho de Administração
Jornalista. Trabalhou como Diretor Geral de Imprensa em Frecuéncia Latina desde 1º de
março de 1996 até 19 de setembro de 1997. Entre outras funções, administrava a área de
imprensa do programa Contrapunto, tinha ingerência na linha editorial do Canal (quando o
senhor Ivcher foi ao exterior, ocupou-se desta matéria) e controlava a unidade de
investigação, que trabalhava para toda a área jornalística do Canal, mas a maioria de suas
investigações eram destinadas ao programa Contrapunto.
Afirmou que o programa Contrapunto nasceu em 1989 e era muito seguido pelos
telespectadores; pois contava com um “rating” de 20 ou 25 pontos, o que equivale a “quase
a metade dos televisores ligados”. Tinha conteúdo político, de maneira que queriam
silenciá-lo, já que com esse “rating” constituía um obstáculo para os planos de reeleição do
Presidente Fujimori no ano 2000.
Em 1º de setembro de 1996, Contrapunto denunciou, através da publicação de algumas
gravações, a relação comercial entre militares e traficantes de drogas, entre eles um
conhecido como “Vaticano”. Como consequência, foram retirados os tanques que protegiam
o Canal desde o atentado terrorista de 5 de julho de 1992 e, no dia seguinte, a Marinha de
Guerra do Peru desmentiu essas informações através de um comunicado. Em 8 de
setembro, Contrapunto fez uma reportagem na qual expunha a importância de que essas
comunicações, que evidenciavam corrupção, não houvessem sido investigadas, assim como
duas reportagens sobre o senhor Montesinos. Todo o anterior motivou que, a partir de 2 de
setembro de 1996, o senhor Ivcher fosse hostilizado pelo senhor Alberto Venero, emissário
de Vladimiro Montesinos, quem lhe informou que o que havia feito poderia prejudicar seus
investimentos e permanência no Peru. De igual forma, a partir desse momento nenhum
convidado oficial compareceu ao Canal para ser entrevistado, nem sequer os ministros que
regularmente compareciam. Depois de duas reportagens sobre as agentes de Inteligência
La Rosa e Barreto, de 6 de abril de 1997, helicópteros das Forças Armadas começaram a
sobrevoar o Canal e a fábrica Produtos Paraíso do Peru, pela manhã, à tarde e à noite;
nenhum tinha número de identificação. Por outro lado, o Canal Venevisión, “triangulado”
com o senhor Montesinos, ofereceu ao senhor Ivcher comprar o Canal 2 por mais de
US$50.000.000,00 (cinquenta milhões de dólares dos Estados Unidos da América).
Frecuéncia Latina não podia ser pressionada, porque o senhor Ivcher sempre pagava os
impostos e era insubornável, já que o Canal gerava lucro a cada ano; então a única forma
de retirar o senhor Ivcher era por intermédio dos sócios minoritários. Entre julho e agosto
de 1996 os irmãos Winter se entrevistaram várias vezes com oficiais de Inteligência. Em 24
de maio de 1997, depois do comunicado das Forças Armadas contra o senhor Ivcher, o
declarante redigiu um comunicado que seria assinado pelos jornalistas; o senhor Samuel
Winter, Vice-Presidente do Canal 2, pediu uma cópia; na semana seguinte, os irmãos Winter
assinaram um documento expressando que não tinham conhecimento sobre a linha
informativa do Canal, o que obviamente não era correto. Finalmente, depois de os irmãos
Winter tomarem o controle do Canal, em 19 de setembro de 1996, a linha editorial do
programa Contrapunto mudou completamente.
Não foi objeto de assédio.