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informação sobre a posse de um telefone celular. De acordo com o Ministério
Público em sua denúncia penal, os internos foram obrigados a ajoelhar-se
durante horas sobre o piso quente e a roer suas próprias unhas até que
sangrassem, enquanto permaneciam sob a mira de armas de fogo e eram
agredidos pelos agentes com pontapés no corpo e nos pés. Depois da
denúncia dos fatos, os detentos receberam ameaças de sofrimento físico, de
introdução de drogas em suas celas, entre outras represálias, bem como
promessas de vantagens por parte dos agentes carcerários para que
mudassem o conteúdo de suas declarações prestadas no marco da
investigação. Ademais, o ex-Diretor Geral acusado dos fatos foi removido de
suas funções em Urso Branco, mas passou a exercer o cargo de Gerente do
Sistema Penitenciário de Rondônia, tendo controle sobre todas as unidades
prisionais desse estado;
iv)
a sentença judicial de dezembro de 2008 que ordenou a interdição
parcial de Urso Branco mencionou o risco de uma nova, perigosa e sangrenta
rebelião na Penitenciária. A decisão ressaltou que em 06 de outubro de 2008
houve uma tentativa de rebelião na qual se dispararam mais de 500 projéteis
de armas de fogo;
v)
de acordo com a informação disponível na página de internet do
Departamento Penitenciário Nacional, o detento M.V.S. haveria sido vítima de
tortura atribuída a policiais militares em 13 de abril de 2009;
vi)
entre os dias 07 e 08 de agosto de 2009 quatro detentos foram vítimas
de disparos de arma de fogo efetuados por um agente penitenciário, quando
os funcionários da Penitenciária tentavam retirar um televisor de uma das
celas. De acordo com o relatório conclusivo do inquérito policial, os fatos
constituíram uma tentativa de homicídio. Esse mesmo documento concluiu
que durante o episódio foram realizados 75 disparos de escopeta com
munições letais e anti-motim. As vítimas dos disparos foram levadas ao
hospital, mas uma delas, F.F.G., que sofreu graves lesões na mão direita, não
recebeu assistência médica adequada e aguarda a realização de cirurgia até a
data corrente;
vii)
em visitas realizadas à Penitenciária nos dias 24 e 25 de setembro de
2009, os representantes conversaram com mais de 100 internos, dos quais
27 relataram haver sofrido abusos físicos que não haviam sido documentados
pelo Estado. Como exemplo, os representantes mencionaram na audiência
pública o caso, não registrado pelo Estado, em que um detento haveria
sofrido um disparo de arma de fogo em seu braço havia cinco meses e ainda
tinha restos de chumbo em seu corpo. Segundo as entrevistas realizadas, os
agentes de segurança pertencentes às forças especiais penitenciárias, que
trabalham encapuzados, são os denunciados mais freqüentes;
viii)
alguns detentos denunciaram que haveriam sofrido violência sexual
por parte de outros detentos, com a aquiescência dos agentes de segurança.
Durante a visita à Penitenciária em setembro de 2009, os representantes
constataram que na cela denominada “seguro”, que deveria destinar-se
unicamente a alojar os acusados ou condenados por crimes sexuais,
encontravam-se no mínimo três internos acusados ou condenados por crimes
de outra natureza. Um dos detentos denunciou aos representantes que
haveria sido submetido a abusos sexuais na mencionada cela, por um dos três