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Corte de Apelações de Santiago não necessitam que se modifique o artigo 19, inciso 12, da
Constituição Política para fazer prevalecer o artigo 13, parágrafo 2º, da Convenção Americana
sobre as disposições de direito interno, mas deveriam aplicar diretamente o artigo 27 da
Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, isto é, “o princípio hermenêutico daquela regra
que melhor favorece o exercício do direito e também a opinião de delimitação do direito”.
e.
Perícia de Juan Agustín Figueroa Yávar, advogado especialista em Direito
Processual
De acordo com a Convenção Americana, a sentença que profira a Corte Interamericana tem
efeito vinculante. Com base no artigo 62 da Convenção, incisos 1 e 2, os Estados Parte podem
reconhecer incondicionalmente a jurisdição do Tribunal ou podem estabelecer reservas. Por sua
vez, o Chile depositou o documento de ratificação em 21 de agosto de 1990 e afirmou que
reconhecia como obrigatória, de pleno direito, a competência da Corte Interamericana a respeito
dos casos relativos à interpretação e aplicação da Convenção Americana, de acordo com o
disposto no artigo 62 deste tratado. A expressão “de pleno direito” significa que o compromisso
com a decisão respectiva não está condicionado a nenhuma circunstância para seu cumprimento.
A Corte Suprema do Chile declarou a preeminência do Direito Internacional sobre o direito
interno. A respeito da hierarquia do Direito Internacional, um passo fundamental ocorreu em
1989, com a modificação constitucional do inciso segundo do artigo 5 da Constituição Política,
que estabeleceu, quanto aos direitos essenciais, que eles não estão apenas indicados ou
reconhecidos na própria Constituição, mas também nos tratados internacionais de direitos
humanos.
Não há nenhuma disposição na legislação interna que possa ter preeminência e que, de alguma
maneira, obste o efetivo e real cumprimento do que decida a Corte Interamericana. Os tratados
internacionais se entendem incorporados ao ordenamento jurídico e a maioria
da doutrina
considera que se incorporam, pelo menos, no mesmo nível do ordenamento constitucional. Isto
é, os tratados podem ampliar o âmbito do ordenamento constitucional e, em especial, deve-se
entender a preeminência da regra internacional sobre a interna.
A jurisprudência chilena, em matéria legal, reconheceu a preeminência da Convenção sobre as
regras domésticas. Por exemplo, em matéria de emissão fraudulenta de cheques, “entendeu que
as regras domésticas que limitavam a liberdade provisória ao depósito anterior da quantia do
respectivo documento, entendem-se derrogadas pelas regras [do Pacto] de San José”; além
disso, concedeu a liberdade provisória a pessoas que seriam extraditadas, invocando a regra
constitucional chilena e a Convenção. Essa não foi a opinião a respeito da censura prévia, já que
ao aplicar a regra constitucional que permite a censura
à exibição de filmes se viola a
Convenção.
O Chile afirmou que, a apresentação de um projeto de reforma constitucional é desnecessária
porque, na medida em que as regras internacionais se incorporam à categoria constitucional,
produzem a derrogação tácita de regras como a que permite a censura prévia, e também é
contraproducente, porque ao enviar o projeto de reforma, está declarando implicitamente que
para recepcionar as regras internacionais se requer um trâmite interno anterior. O projeto é
também tardio porque o compromisso internacional do Estado nasceu em 1990 com a ratificação
da Convenção, enquanto a reforma constitucional foi apresentada em 1997, e reativo, porque foi
enviado quando já havia sido proferida a sentença de primeira instância da Corte de Apelações de
Santiago.