4
v.
Em 10 de setembro 2014, durante uma reunião de internos com a equipe
técnica da “Fase Inicial” da Unidade, o interno R.F.P. foi algemado e levado à
sala de segurança. Segundo o interno, por ter questionado a conduta de um
agente que teria ofendido moralmente a outro adolescente, foi agredido
verbalmente por este e depois foi algemado com as mãos na parte de cima da
grade, o que lhe causou muita dor. Segundo a versão dos funcionários, o interno
ficou agitado durante a reunião, agrediu verbalmente os agentes e depois não se
submeteu à revista requerida para ingressar à moradia.
vi.
Em uma declaração de 11 de setembro de 2014, afirma-se que, como protesto
pela falta de atenção médica a um deles, os internos J.S., V.S. e L.S. bateram e
chutaram a porta da residência, a partir do que foram agredidos de forma
extrema pelos agentes socioeducativos. A respeito disso, o interno V.S. afirmou
que os agentes apertaram apoiando o joelho nas costas dos adolescentes até
perderem o ar e quase desmaiou, que L.S. sofreu até vomitar, que forçaram o
braço de J.S. até ele chorar e que a ele lhe bateram com a cabeça no chão,
tentando apagá-lo. Na mesma declaração foi denunciada a suspensão de todas
as atividades recreativas para os internos, o uso de algemas durante um
extenso período, colocando os internos em uma posição chamada “de
porquinho”: com a barriga no piso e os braços algemados atrás das costas.
Os funcionários, por outro lado, declararam que tentaram dialogar com os
internos, mas que os internos se auto lesionaram e afirmam que são agredidos
para prejudicar os agentes.
vii.
viii.
ix.
x.
xi.
3
Segundo a declaração de 22 de setembro de 2014, depois de um tumulto na
moradia, os internos resistiram a revista e foram trasladados ao piso inferior. No
trajeto, o interno R.A. se auto lesionou, batendo sua cabeça contra a parede.
Segundo o interno, depois de se auto lesionar foi agredido pelos agentes: foi
algemado, torceram seu braço, e foi agredido até tossir sangue.
Em 29 de setembro de 2014, vários internos desobedeceram os funcionários da
Unidade: recusaram-se a tomar o café da manhã, bateram as portas da unidade
e causaram danos materiais. Diante disso, os agentes entraram e fizeram uso da
força, algemando os internos. Os adolescentes M.N., J.S., J.O., E.S. e F.D.
denunciaram que foram agredidos fisicamente pelos agentes, foram algemados
com os braços para trás, torceram seus braços e sofreram bofetadas.
Em 1º de outubro de 2014, ocorreu um tumulto causado por três internos. No
entanto, todos os internos que se encontravam nesse momento na quadra (10
no total) foram agredidos e algemados pelos agentes.3
Em 9 de novembro de 2014, o interno M.S. estava na enfermaria e foi informado
de que seria algemado à sua cama devido à falta de pessoal no recinto, o
interno se negou a ser algemado e foi sancionado com “acautelamento
provisório”. Esta sanção foi aplicada sem a devida instauração de uma Comissão
de Avaliação Disciplinar (CAD), como correspondia segundo o regulamento
vigente4 e sem respeitar a garantia de defesa do interno, já que o defensor
público não participou, pois “não se sentia seguro na Unidade”.
Em 13 de fevereiro de 2015, ocorreu um motim no espaço escolar causado por
um grupo de internos. Durante o evento, funcionários e professores foram feitos
reféns por alguns internos, os quais atearam fogo em uma sala do espaço B da
Unidade. Diversos adolescentes afirmaram que o motim ocorreu em virtude da
violência dos agentes durante o Plantão C, da prática constante de isolamento e
Os representantes afirmaram que, segundo a informação disponível, a denúncia não foi enviada à
Corregedoria, e, em muitos destes casos não há declarações dos adolescentes, apenas dos agentes.
4
Instrução de serviço N° 0464-P, conforme à lei 12.592/2012.