mercúrio, nos rios. Segundo defendeu, os resultados apoiarão medidas preventivas
para as comunidades locais e serão utilizados para mitigar o dano ambiental.
43.
Em janeiro de 2023 os representantes ressaltaram que a instalação de poços
para acesso a água potável está restrita a um número reduzido de comunidades: 21
das mais de 360 comunidades indígenas Yanomami e Ye’Kwana.
(III) Contexto de violência: violência sexual contra mulheres e meninas,
mortes, ameaças e violência contra indígenas e o Programa de
Proteção de Defensores dos Direitos Humanos
44.
Violência sexual contra mulheres e meninas: O Estado destacou, em
março de 2023, o Projeto Promotores dos Direitos Humanos Indígenas, no âmbito do
Projeto PNUD BRA/18/024 - "Fortalecimento da garantia do direito à vida e da
redução da violência contra crianças e adolescentes no Brasil", que tem por objetivo
capacitar 15 indígenas Yanomami para atuar em suas comunidades no combate à
violência contra meninas e adolescentes indígenas. Além disso, acrescentou que, no
dia 27 de fevereiro de 2023, foi organizada, em Roraima, uma reunião com a
Secretaria de Estado do Trabalho e Previdência Social para dar continuidade às
negociações para a implantação em Roraima do Centro de Atendimento Integrado
para Crianças e Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência. O Estado
também observou que, em janeiro de 2023, o SGDCA participou de duas missões de
verificação in situ das violações de direitos sofridas pelo Povo Yanomami, onde
reconheceu a existência de casos de violência sexual que afetaram crianças
indígenas, devido à presença de garimpeiros em seu território, o que resultou,
inclusive, em gravidez e nascimentos de crianças, frutos dessas violações.
45.
O Estado destacou, em junho de 2023, que, em 18 de março de 2023, foi
realizada a “Operação Palácios”, por meio da qual a Polícia Federal deteve duas
pessoas suspeitas de ter tomado parte na exploração sexual de meninas e mulheres
na Terra Indígena Yanomami. Também estabeleceu que o SNDCA continua
monitorando temas, ações e medidas governamentais relacionados aos direitos das
crianças e adolescentes indígenas. Em setembro de 2023, o Estado observou os
avanços em políticas públicas alcançados durante a Terceira Marcha das Mulheres
Indígenas em Brasília. Segundo destacou, durante o evento, a Ministra dos Povos
Indígenas (MPI), Sonia Guajajara, selou acordos para fortalecer direitos, combater a
violência contra as mulheres e promover a formação acadêmica de alto nível dos
povos indígenas – o que resultou em um convênio de cooperação técnica entre o MPI
e o Ministério da Mulher, que estabelece o Grupo Técnico de Trabalho, inserido no
contexto do Projeto Guardiões para promover políticas e estratégias públicas para
prevenir, enfrentar e erradicar a violência e a discriminação de gênero sofridas pelas
mulheres indígenas.
46.
O Estado informou, em novembro de 2023, que não foi possível obter dados
precisos sobre a violência sexual contra mulheres e meninas. No entanto, se
comprometeu a buscar esses dados com as autoridades locais. Por outro lado, o
Estado destacou algumas medidas que estariam sendo implementadas para
combater a violência sexual. A esse respeito, citou a “Operação Palácios”, cujo
objetivo era investigar e prender suspeitos de envolvimento em uma organização
criminosa que recrutaria mulheres e adolescentes para serem exploradas no garimpo.
Reconheceu a existência de denúncias sobre a especial vulnerabilidade e exposição
de mulheres e meninas indígenas à violência sexual por parte de garimpeiros e
acrescentou que a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente atuou
para priorizar o apoio ao território de Boa Vista, equipando um Centro de
Atendimento Integrado para Crianças e Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de
Violência, com a destinação de R$ 380.000,00 para a estruturação do lugar.
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