47. Os representantes salientaram, em abril de 2023, que persiste a preocupação com a vulnerabilidade das mulheres e meninas indígenas ao abuso e à violência sexual na Terra Indígena Yanomami, com notícias constantes de casos de estupro e prostituição forçada. Salientaram também que o contexto de exploração sexual afeta também mulheres e adolescentes não indígenas, já que, em março de 2023, uma adolescente resgatada de situação de exploração sexual no rio Mucajaí, afirmou que foi trabalhar no garimpo com promessas de bons salários como cozinheira, sendo logo submetida a condições análogas à escravidão. Ressaltaram, em novembro de 2023, que o registo de casos é bastante complexo porque: (i) as comunidades estão localizadas em áreas remotas, com pouco acesso a instalações públicas; (ii) na maioria dos casos, a violência sexual ocorre em comunidades já sob o controle de mineiros ilegais, onde a presença do Estado é ainda mais fraca. Ressaltaram também que, das cinco comunidades que constituem a região de Paapiu (Kayanau), três são alvo de denúncia de casos de filhos de garimpeiros com mulheres e meninas Yanomami, e que em todas as comunidades há denúncias de violência sexual cometidas por garimpeiros. Os representantes também recolheram relatos e notícias de comunidades onde ocorreram casos de violência sexual, observando a presença de denúncias nas seguintes localidades: Kayanau, Apiaú, Catrimani, Papiu, Aracaçá e Parima. Além disso, tomaram nota de que há relatos preocupantes de garimpeiros que afirmam ser casados com mulheres indígenas para justificar sua presença ilegal na Terra Indígena Yanomami, razão pela qual se crê que essas situações sejam possíveis casos de casamento forçado. Do mesmo modo, os representantes informaram que, em fevereiro de 2023, o Estado recebeu a notícia de 30 casos de meninas e adolescentes Yanomami que engravidaram em decorrência de estupros cometido por garimpeiros em seu território, e que se tinha conhecimento de um caso de estupro ocorrido na CASAI. 48. Em dezembro de 2023, os representantes observaram que, na última semana de novembro de 2023, houve outro caso de violência sexual contra uma mulher Yanomami hospedada na CASAI. Também ressaltaram que, segundo matéria que circulou em portais de notícias brasileiros, no dia 29 de novembro de 2023, uma indígena Yanomami, de 31 anos, foi encontrada em uma zona rural da cidade de Boa Vista, inconsciente, com ferimentos e manchas de sangue no corpo, após ter sido vítima de estupro coletivo. 49. Em junho de 2023, a Comissão manifestou preocupação com a falta de informações sobre investigações de ameaças e atos de violência contra os beneficiários, especialmente aqueles cometidos contra crianças e adolescentes. Também lembrou a importância da responsabilização para mitigar os riscos. Tomou nota dos relatórios apresentados pelos representantes, que salientaram o aumento dos casos de gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis em consequência dos casos de violência sexual contra meninas e mulheres indígenas – além do contexto de vulnerabilidade identificado. Segundo a Comissão, durante a visita in situ também foram recebidas informações sobre o desaparecimento de uma comunidade indígena Yanomami, bem como sobre o aumento dos conflitos sociais entre diferentes comunidades. 50. Mortes, violência e ameaças contra indígenas na Terra Indígena Yanomami: Em dezembro de 2022, o Estado ressaltou que vinha implementando várias ações policiais para o confisco de materiais utilizados nos garimpos: (i) Operação no Garimpo Pupunha, região de Xitei; (ii) Operação em Homoxi; (iii) Operação no Garimpo Pé Quebrado, região do rio Uraricoera; (iv) Operação no Garimpo do Capixaba, região do Alto Catrimani; (v) Operação na Pista Espadinha, região do rio Aracaçá; (vi) Operação no Garimpo do Negão; (vii) Operação no Garimpo da região Apiau; (viii) Operação no Garimpo da região Waikas. Também destacou o segundo ciclo da Operação Yanomami (em 20/09/2022), em que se - 13 -

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