alcançada antes”. Por sua vez, o Preâmbulo à Convenção afirma que “a criança, em virtude
de sua falta de maturidade física e mental, necessita proteção e cuidados especiais,
inclusive a devida proteção legal, tanto antes quanto após seu nascimento’”. 359
231.
Os artigos 1 e 6.1 da Convenção sobre os Direitos da Criança não se referem de
maneira explícita a uma proteção do não nascido. O Preâmbulo faz referência à necessidade
de oferecer “proteção e cuidado especiais […] antes […] do nascimento". Entretanto, os
trabalhos preparatórios indicam que esta frase não teve a intenção de fazer extensivo ao
não nascido o disposto na Convenção, em especial o direito à vida. No caso, nos trabalhos
preparatórios se indica que esta frase não tinha “a intenção de violar a interpretação do
artigo 1 ou de nenhuma outra disposição da Convenção”. De fato, enquanto o projeto
revisado para uma Convenção sobre os Direitos da Criança, apresentado pela Polônia, não
fazia alusão à vida pré-natal no Preâmbulo, 360 o Vaticano pediu a ampliação do Preâmbulo
com a expressão “antes e depois do nascimento”, 361 o que causou opiniões conflitantes
entre os Estados. Como ato de compromisso, as delegações combinaram uma expressão
tomada da Declaração sobre os Direitos da Criança de 1959. 362
232.
Diante da dificuldade de encontrar uma definição de “criança” no artigo 1 do
Projeto, foi eliminada a referência ao nascimento como início da infância. 363 Posteriormente,
no contexto das deliberações, as Filipinas solicitaram a inclusão da expressão “tanto antes
como depois do nascimento” no Preâmbulo, 364 à qual vários Estados se opuseram. 365 Como
ato de compromisso, decidiu-se que fosse incluída no Preâmbulo tal referência, mas que os
trabalhos preparatórios deixassem claro que o Preâmbulo não determinaria a interpretação
do artigo 1 da Convenção. 366
233.
O Comitê para os Direitos da Criança não emitiu nenhuma observação da qual se
possa deduzir a existência de um direito à vida pré-natal.
C.2.c) Sistema Europeu dos Direitos Humanos
234.
O artigo 2.1 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos (doravante denominada
“CEDH)” afirma que “[o] direito de qualquer pessoa à vida está protegido pela lei”. 367 Os
autores da CEDH se basearam para sua redação na Declaração Universal dos Direitos
Humanos, por sua “autoridade moral e valor técnico”. 368
359
Cf. Convenção sobre os Direitos da Criança, par. 9 do preâmbulo.
360
Cf. UN Doc. E/CN.4/1349 (1979).
361
Cf. UN Doc. E/CN.4/1408, § 277 (1980).
362
Cf. UN Doc. E/CN.4/1408, §§ 277 (1980) (“Recognizing that, as indicated in the Declaration of the Rights
of the Child adopted in 1959, the child due to the needs of his physical and mental development requires […] legal
protection in conditions of freedom, dignity and security”).
363
Cf. UN Doc. E/CN.4/1408, § 277 (1980).
364
Cf. UN Doc. E/CN.4/1989/48, § 34 (1989).
365
Cf. UN Doc. E(CN.4/1989/48, § 36 (1989).
366
UN Doc. E/CN.4/1989/48, § 43 (1989) (“Ao aprovar este parágrafo do preâmbulo, o Grupo de Trabalho
não pretende emitir um juízo prévio sobre a interpretação do artigo 1 ou de qualquer outra disposição da
convenção pelos Estados Partes”).
367
Convenção Europeia para a Proteção dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais, artigo 2.1,
aprovado em 4 nov. 1950, 213 STNU 222, S.T. Eur. nº. 5 (em vigor desde 3 de setembro de 1953).
368
Committee on Legal and Administrative Questions Report, Section 1, Para. 6, 5 September 1949, in
Collected Edition of the Travaux Preparatoires, Vol. 1 (1975), p. 194. ([T]he Committee considered that it was
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