5
B.
Posição do Estado
Caso 11.566 – Alegações específicas
20.
O Estado argumenta que as alegações apresentadas pelos peticionários são infundadas e não
foram comprovadas pelas provas nos autos do inquérito policial. O Brasil nega firmemente que a incursão policial
que ocorreu na Favela Nova Brasília em 8 de maio de 1995 foi uma “operação de extermínio”. Em sentido
contrário, o Estado assevera que foi motivada por informação de que um carregamento de armas seria entregue
naquele dia a traficantes de drogas locais. De acordo com o Estado, a operação foi realizada por 14 policiais civis
por terra e 6 policiais civis em helicópteros disponibilizados previamente, de acordo com as disposições legais
vigentes. Nesse sentido, o Estado reitera que a incursão policial foi planejada prévia e cuidadosamente,
objetivando surpreender os traficantes na Favela Nova Brasília, tudo conforme a lei.
21.
O Estado argumenta que nenhum residente da Favela Nova Brasília declarou perante as
autoridades que os mortos foram executados sem chance de defesa ou após estarem rendidos. Pelo contrário, o
Estado insiste que esses depoimentos confirmam que houve troca de tiros entre os bandidos e a polícia. Ainda, o
Brasil observa que as autoridades apreenderam uma quantidade considerável de drogas – inclusive maconha e
cocaína, entre outras – assim como os seguintes armamentos: 2 pistolas, 5 revólveres, 1 sub-metralhadora, 1
metralhadora, 1 espingarda, 4 fuzis, munição e 2 granadas de mão explosivas.
22.
Segundo o Estado, o inquérito conduzido pela Polícia Civil estabeleceu que os policiais
efetivamente reagiram à injusta agressão, utilizando para tanto os meios necessários, não só para resguardarem
suas próprias vidas, como também a de outros. O Estado concluiu que, de acordo com a Polícia Civil, os fatos
caracterizam uma “reação legal à resistência”. O Brasil afirma que o único reparo que se poderia fazer à atuação
policial consistiu em terem desfeito a cena do crime, ficando impossibilitada a realização de uma perícia adequada
do local, porém argumenta que isto aconteceu em razão de terem tentado prestar socorro às supostas vítimas
levando-as ao hospital. Por último, o Estado assevera que, apesar das mencionadas conclusões da Polícia Civil, o
inquérito permanece pendente de conclusão porque o Ministério Público, depois de proceder a investigações
complementares sobre os fatos, decidiu aguardar até que parentes de todas os mortos pudessem ser encontrados
e ouvidos.
Caso 11.694 – Alegações específicas
23.
O Estado assevera que a operação policial que ocorreu na Favela Nova Brasília em 18 de outubro
de 1994 teve como objetivo combater o tráfico de drogas e prender traficantes. De acordo com a informação
fornecida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, os assassinatos de Evandro de Oliveira e outros decorreram de
uma ação repressiva policial – “uma verdadeira operação de guerra” – envolvendo 110 policiais da DRE, da 21ª
Delegacia Policial e outras unidades da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O Estado ressalta que os traficantes de
entorpecentes na Favela Nova Brasília dispunham de armamentos pesados como fuzis, metralhadoras e granadas,
e que houve tiroteiro entre eles e a polícia, e que três policiais ficaram feridos. O Estado também alega que uma
viatura policial foi incendiada pelos bandidos.
24.
O Estado indica que dois inquéritos policiais foram instaurados sobre os fatos, um promovido
pela DRE e um pela Delegacia Especial de Tortura e Abuso de Autoridade (DETAA), e que ambos tiveram o
acompanhamento do Ministério Público. De acordo com as informações fornecidas pelo Ministério Público do Rio
de Janeiro, os autos de exame cadavérico de alguns cadáveres apresentavam perfurações nos dois olhos, o que
demandava uma investigação mais apurada. O Estado acrescenta que é de difícil apuração se o declarado pelas
vítimas sobreviventes é verdadeiro, porque moradores de favela tendem a tentar desmoralizar a polícia, e
especificamente em relação com os alegados abusos sexuais sofridos por algumas mulheres, o Brasil argumenta
que “não é muito verossímil” que durante um tiroteio alguém pudesse ter condições de exercer qualquer prática
de natureza sexual. Em qualquer caso, o Estado reitera que a operação policial que resultou na morte das