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capuz (é um método mediante o qual se coloca na cabeça da pessoa um forro
fabricado com uma câmara de pneu de automóvel, que impede a respiração pela boca
e pelo nariz) até quase asfixiar-se e deram-lhe choques elétricos. Afirmou que esteve
preso por militares porque quando lhe removeram a venda para tirar-lhe umas
fotografias, viu um oficial do exército hondurenho e, numa oportunidade quando o
levaram a tomar banho, viu as instalações de um quartel. Além disso, escutava-se um
trompete, ouviam-se vozes de comando e soava um canhão (testemunho de José
Gonzalo Flores Trejo).
88.
O Governo argumentou que todo o declarado pela testemunha, de
nacionalidade salvadorenha, não era crível porque pretendia fazer o Tribunal acreditar
que seus encontros com Inés Consuelo Murillo eram coincidências e acrescentou que
os dois estavam envolvidos em atividades ilícitas.
89.
Virgilio Carías, que era Presidente do Partido Socialista de Honduras, relatou
que foi sequestrado em 12 de setembro de 1981, em pleno dia, quando seu automóvel
foi rodeado por 12 ou 13 pessoas que portavam pistolas, carabinas e fuzis
automáticos. Declarou que foi levado a uma prisão clandestina, ameaçado e
espancado, e que durante quatro ou cinco dias esteve sem comer, sem tomar água e
sem poder ir ao sanitário. No décimo dia de detenção, deram-lhe uma injeção num
braço e jogaram-no amarrado na parte detrás de uma caminhonete. Posteriormente,
foi colocado atravessado no lombo de uma mula, que foi colocada a caminhar pela
montanha, perto da fronteira entre Honduras e Nicarágua, zona onde recuperou sua
liberdade (testemunho de Virgilio Carías).
90.
O Governo indicou que esta testemunha reconheceu expressamente que sua
conduta é de oposição ao Governo de Honduras e que suas respostas foram imprecisas
ou evasivas. Como a testemunha disse não poder identificar seus captores, considera
que seu testemunho é de ouvir dizer e carece de valor como prova, já que os fatos não
foram percebidos por seus próprios sentidos e só os conhece através de afirmações de
outras pessoas.
91.
Um advogado, que disse defender presos políticos, testemunhou que foi detido
sem nenhuma formalidade legal no ano de 1982, pelos órgãos de segurança de
Honduras. Esteve dez dias em poder deles numa prisão clandestina, sem que lhe
formulassem acusações, foi submetido a pancadas e a torturas, até que o enviaram
aos tribunais (testemunho de Milton Jiménez Puerto).
92.
O Governo afirmou que a testemunha foi processada pelos delitos de atentar
contra a segurança de Honduras e porte de armas nacionais (privativas das Forças
Armadas) e, por isso, tem interesse direto em prejudicar Honduras com seu
testemunho.
93.
Outro advogado, que também disse defender detidos por razões políticas e
referiu-se ao direito hondurenho, relatou que foi aprisionado, em pleno dia, em 1° de
junho de 1982, por membros do Departamento de Investigações Especiais em
Tegucigalpa, os quais o levaram vendado a um lugar que não pôde reconhecer, onde o
mantiveram por quatro dias sem comer e sem tomar água. Foi espancado e insultado.
Disse que conseguiu olhar através da venda e, assim, dar-se conta de que estava
numa unidade militar (testemunho de René Velásquez Díaz).
94.
O Governo sustentou que a testemunha incorreu em várias falsidades
relacionadas ao direito vigente em Honduras e que sua declaração "carece de