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169. Igualmente, a Corte Suprema de Justiça da Colômbia salientou que “as normas
relativas aos [d]ireitos [h]umanos fazem parte do grande grupo de disposições de
Direito Internacional Geral, reconhecidas como normas de [j]us cogens, razão pela
qual aquelas são inderrogáveis, imperativas [...] e indisponíveis”248. A Corte Suprema
da Colômbia lembrou que a jurisprudência e as recomendações dos organismos
internacionais sobre direitos humanos devem servir de critério preferencial de
interpretação, tanto na justiça constitucional como na ordinária e citou a jurisprudência
deste Tribunal a respeito da não aceitabilidade das disposições de anistia para casos de
violações graves de direitos humanos249.
170. Como se desprende do conteúdo dos parágrafos precedentes, todos os órgãos
internacionais de proteção de direitos humanos, e diversas altas cortes nacionais da
região, que tiveram a oportunidade de pronunciar-se a respeito do alcance das leis de
anistia sobre graves violações de direitos humanos e sua incompatibilidade com as
obrigações internacionais dos Estados que as emitem, concluíram que essas leis violam
o dever internacional do Estado de investigar e sancionar tais violações.
171. Este Tribunal já se pronunciou anteriormente sobre o tema e não encontra
fundamentos jurídicos para afastar-se de sua jurisprudência constante, a qual,
ademais, concorda com o estabelecido unanimemente pelo Direito Internacional e
pelos precedentes dos órgãos dos sistemas universais e regionais de proteção dos
direitos humanos. De tal maneira, para efeitos do presente caso, o Tribunal reitera que
“são inadmissíveis as disposições de anistia, as disposições de prescrição e o
estabelecimento de excludentes de responsabilidade, que pretendam impedir a
investigação e punição dos responsáveis por graves violações dos direitos humanos,
como a tortura, as execuções sumárias, extrajudiciais ou arbitrárias, e os
desaparecimentos forçados, todas elas proibidas, por violar direitos inderrogáveis
reconhecidos pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos” 250.
172. A Corte Interamericana considera que a forma na qual foi interpretada e
aplicada a Lei de Anistia aprovada pelo Brasil (supra pars. 87, 135 e 136) afetou o
dever internacional do Estado de investigar e punir as graves violações de direitos
humanos, ao impedir que os familiares das vítimas no presente caso fossem ouvidos
por um juiz, conforme estabelece o artigo 8.1 da Convenção Americana, e violou o
direito à proteção judicial consagrado no artigo 25 do mesmo instrumento,
precisamente pela falta de investigação, persecução, captura, julgamento e punição
dos responsáveis pelos fatos, descumprindo também o artigo 1.1 da Convenção.
Adicionalmente, ao aplicar a Lei de Anistia impedindo a investigação dos fatos e a
identificação, julgamento e eventual sanção dos possíveis responsáveis por violações
continuadas e permanentes, como os desaparecimentos forçados, o Estado descumpriu
sua obrigação de adequar seu direito interno, consagrada no artigo 2 da Convenção
Americana.
248
Corte Suprema de Justiça da Colômbia, Câmara de Cassação Penal. Caso do Massacre de Segovia.
Ata número 156, de 13 de maio de 2010, p. 68 (tradução da Secretaria da Corte Interamericana).
249
Cf. Corte Suprema de Justiça da Colômbia, Câmara de Cassação Penal. Caso do Massacre de
Segovia, supra nota 248, p. 69 e 71.
250
Cf. Caso Barrios Altos versus Peru. Mérito. Sentença de 14 de março de 2001. Série C No. 75, par.
41; Caso La Cantuta, supra nota 160, par. 152, e Caso Do Massacre dos Dois Erres, supra nota 186, par.
129.
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