como “Ajudantes Técnicos” na prática das exumações. Nesse mesmo dia, Mercedes Doretti
e Patricia Bernardi fizeram os juramentos correspondentes. 335 Em 30 de abril de 1992, a
senhora perita Mercedes Celina Doretti apresentou ao juiz da causa o “Plano de Trabalho
Sugerido”, o qual assinalou que havia sido entregue ao Diretor do Instituto de Medicina
Legal em 7 de fevereiro de 1992. 336 Em 13 de outubro de 1992, Luis Bernardo Fondebrider
fez seu juramento. 337
224. Mediante comunicado de imprensa de 8 de abril de 1992, o Escritório de Tutela Legal
da Arquidiocese denunciou irregularidades que, a seu critério, estavam sendo cometidas até
esse momento nas investigações. Entre as irregularidades, denunciou que o juiz da causa:
“no dia 8 de maio de 1991, quando a evidência testemunhal do processo comprovava
amplamente a responsabilidade das Forças Armadas nos assassinatos, […] suspendeu
temporalmente o exame de testemunhas, aduzindo que se dedicaria a realizar as diligências
para comprovar o corpo do delito, tais como a inspeção no lugar dos fatos, exumações e
autópsias dos cadáveres das vítimas. Estas diligências se encontravam ordenadas no
processo desde 9 de novembro de 1990, entretanto, até [aquela] data não haviam sido
realizadas, apesar de sua importância, continuando, ademais, suspenso o exame de
testemunhas sem razão legal que justifi[casse] tal atitude”; negou-se a indicar aos
membros da EAAF uma data para a inspeção e exumação, dando “credibilidade aos rumores
sobre os campos minados na área de El Mozote, apesar de os moradores do lugar, que
transitam por esta área, manifestaram a falsidade dos mesmos, o que havia sido
comprovado pela imprensa nacional e estrangeira que visitou o lugar” e o “rastreio e busca
de minas” realizado em 7 de março de 1992, no qual foi estabelecido que “a zona se
encontrava totalmente livre de minas”; e que não recebeu resposta alguma aos pedidos
feitos ao Presidente da República sobre “a lista de soldados e oficiais que participaram na
operação militar durante a qual se produziu o Massacre de El Mozote”. 338 Em 27 de abril de
1992, em um comunicado dos Organismos do Norte de Morazán, foi denunciada, entre
outros, a negativa do juiz “de juramentar os peritos forenses estrangeiros” e de “fixar data
para o começo da inspeção e exumação dos restos ósseos do massacre de ‘El Mozote’”,
assim como “a passividade da Promotoria Geral da República ante todas estas
irregularidades e obstruções no julgamento do massacre”. 339 No dia seguinte, em uma
comunicação dirigida ao Segundo Juízo por parte do Patronato para o Desenvolvimento das
Comunidades de Morazán e San Miguel (PADECOMSM), das Comunidades Eclesiais de Base
de El Salvador (CEBES), da Cidade de Segundo Montes, e do Movimento Comunal de
Mulheres de Morazán, moradores e organismos do Norte de Morazán denunciaram fatos e
circunstâncias similares. 340
335
Cf. Auto emitido pelo Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 29 de abril de 1992
(expediente de prova, tomo III, anexo 23 à submissão do caso, folhas 1877 a 1879).
336
Cf. Comunicação de Mercedes Celina Doretti, dirigida ao Segundo Juízo de Primeira Instância de San
Francisco Gotera, de 30 de abril de 1992 (expediente de prova, tomo III, anexo 23 à submissão do caso, folhas
1886 a 1887).
337
Cf. Auto emitido pelo Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera em 13 de outubro de
1992 (expediente de prova, tomo IV, anexo 23 à submissão do caso, folha 2416).
338
Comunicado do Escritório de Tutela Legal da Arquidiocese de 8 de abril de 1992 (expediente de prova,
tomo II, anexo 11 à submissão do caso, folhas 1545 a 1548).
339
Comunicado dos Organismos do Norte de Morazán sobre o estancamento e obstrução do julgamento do
massacre de “El Mozote” de 27 de abril de 1992 (expediente de prova, tomo III, anexo 23 à submissão do caso,
folha 1874).
340
Cf. Ofício das Comunidades de Morazán e San Miguel (PADECOMSM), das Comunidades Eclesiais de Base
de El Salvador (CEBES), da Cidade de Segundo Montes, e do Movimento Comunal de Mulheres de Morazán, dirigido
ao Segundo Juízo de Primeira Instância de San Francisco Gotera, de 28 de abril de 1992 (expediente de prova,
tomo III, anexo 23 à submissão do caso, folha 1875).
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