-54investigação pelos fatos alegados de 2 de maio de 2002 (pars. 185 a 187 supra). Ordenouse o início da investigação depois de dois anos da realização da denúncia e a primeira diligência foi realizada mais de seis anos depois (par. 318 infra). 196. Entretanto, este Tribunal considera que não foram apresentados elementos probatórios suficientes que permitam corroborar os fatos alegados pela Comissão e pelos representantes. *** 197. A Comissão argumentou que, em 31 de julho de 2002, os senhores Isnardo Bravo, Wilmer Marcano e Winston Gutiérrez foram agredidos verbalmente e ameaçados enquanto se encontravam cobrindo a notícia nas imediações do Tribunal Supremo de Justiça. Além disso, houve atos de vandalismo contra dois veículos da RCTV.175 Os representantes acrescentaram que apesar de estarem presentes na cena, as forças de ordem não intervieram para repelir os manifestantes. 198. Este Tribunal observa que o senhor José Monroy afirmou, em declaração na audiência pública do caso, que a polícia presente no lugar dos fatos não interveio para repelir os agressores.176 O senhor Bravo não fez menção aos danos materiais nos veículos nem mencionou que autoridades tenham deixado de intervir; unicamente mencionou as agressões verbais que teriam recebido.177 No vídeo apresentado pelos representantes se observam apenas os danos a veículos da RCTV.178 199. Em 14 de agosto de 2002, este fato foi denunciado perante as 2ª e 74ª Promotorias do Ministério Público, por agressões contra a equipe do programa “El Observador” naquele dia.179 O Estado informou que, em 28 de julho de 2008, a 32ª Promotoria da Área Metropolitana de Caracas pediu a improcedência da denúncia, por versar sobre fatos constitutivos de delitos perseguíveis apenas a requerimento das vítimas e que até a 174 Cf. ata de denúncia nº 272 de 28 de maio de 2002 e escrito de 7 de junho de 2002 (expediente de prova, tomo IV, folhas 1045-1047). 175 A Comissão afirmou em seu escrito de demanda que, “[em] 31 de julho de 2002, seguidores do Presidente Hugo Chávez Frías e membros da oposição se concentraram em frente às portas do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela onde se realizaria a sessão plenária para discutir a decisão em resposta à acusação do Promotor Geral contra os Oficiais Generais e Almirantes acusados de rebelião militar. Mediante votação de 12 contra 8, o referido Tribunal objetou o pedido que solicitava a abertura do julgamento por rebelião militar. […] Enquanto se encontravam cobrindo a notícia nas imediações do Tribunal Supremo de Justiça, pessoas desconhecidas agrediram verbalmente os jornalistas Isnardo Bravo, Wilmer Marcano, e Winston Gutiérrez, indicando, entre outras coisas, que lhes matariam. Além disso, ocorreram atos de vandalismo e enquanto os agressores insultavam os comunicadores sociais; dois veículos da RCTV que se encontravam estacionados na zona próxima ao Tribunal foram riscados, com os vidros quebrados e os pneus esvaziados. À tarde desse mesmo dia 31 de julho de 2002, uma bomba de gás lacrimogêneo foi lançada dentro de um dos veículos do canal RCTV, causando seu incêndio”. 176 Cf. declaração prestada por Antonio José Monroy Clemente na audiência pública celebrada perante a Corte Interamericana em 7 de agosto de 2008. 177 Cf. declaração de Isnardo José Bravo (expediente de prova, tomo VIII, anexo 31 ao escrito de petições, argumentos e provas, folhas 3127-3128). 178 No vídeo apresentado se pode ver uma caminhonete da RCTV com fumaça saindo do interior e bombeiros tentando apagar o incêndio com um extintor. O comentarista afirma que foi um coquetel molotov que teria incendiado a caminhonete. É possível ver igualmente duas caminhonetes brancas com as laterais pintadas com um spray vermelho. Não aparece a data na gravação. O comentarista agrega que se encontram em frente ao tribunal. Cf. vídeo denominado “Agresiones contra bienes de RCTV” (anexo 35 ao escrito de petições, argumentos e provas). 179 Cf. denúncia de 14 de agosto de 2002 (expediente de prova, tomo IV, folhas 943-951).

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