I.
INTRODUÇÃO DA CAUSA E OBJETO DA CONTROVÉRSIA
1.
O caso submetido à Corte. – Em 16 de março de 2016, a Comissão Interamericana
de Direitos Humanos (doravante denominada “Comissão Interamericana” ou “Comissão”)
submeteu �� Corte o Caso do Povo Indígena Xucuru e seus membros contra a República
Federativa do Brasil (doravante denominado “Estado” ou “Brasil”). De acordo com a
Comissão, o caso se refere à suposta violação do direito à propriedade coletiva e à
integridade pessoal do Povo Indígena Xucuru, em consequência: i) da alegada demora de
mais de 16 anos, entre 1989 e 2005, no processo administrativo de reconhecimento,
titulação, demarcação e delimitação de suas terras e territórios ancestrais; e ii) da suposta
demora na desintrusão total dessas terras e territórios, para que o referido povo indígena
pudesse exercer pacificamente esse direito. O caso também se relaciona à suposta violação
dos direitos às garantias judiciais e à proteção judicial, em consequência do alegado
descumprimento do prazo razoável no processo administrativo respectivo, bem como da
suposta demora em resolver ações civis iniciadas por pessoas não indígenas com relação a
parte das terras e territórios ancestrais do Povo Indígena Xucuru. A Comissão salientou que
o Brasil violou o direito à propriedade, bem como o direito à integridade pessoal, às
garantias e à proteção judiciais previstos nos artigos 21, 5, 8 e 25 da Convenção Americana,
em relação aos artigos 1.1 e 2 do mesmo instrumento.
2.
Tramitação perante a Comissão. – A tramitação do caso perante a Comissão
Interamericana foi o seguinte.
a) Petição.– Em 16 de outubro de 2002, a Comissão recebeu a petição inicial,
apresentada pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos/Regional Nordeste, pelo
Gabinete de Assessoria Jurídica das Organizações Populares (GAJOP) e pelo Conselho
Indigenista Missionário (CIMI), à qual foi atribuído o número de caso 12.728.
b) Relatório de Admissibilidade.- Em 29 de outubro de 2009, a Comissão aprovou o
Relatório de Admissibilidade No. 98/09 (doravante denominado “Relatório de
Admissibilidade”).
c) Relatório de Mérito.- Em 28 de julho de 2015, a Comissão aprovou o Relatório de
Mérito No. 44/15, em conformidade com o artigo 50 da Convenção Americana
(doravante denominado “Relatório de Mérito”), no qual chegou a uma série de
conclusões e formulou varias recomendações ao Estado.
i)
Conclusões.- A Comissão
internacionalmente:
concluiu
que
o
Estado
era
responsável
a. pela violação do direito à propriedade, consagrado no artigo XXIII da Declaração
Americana e no artigo 21 da Convenção Americana, bem como do direito à
integridade pessoal consagrado no artigo 5o da Convenção Americana, em relação
aos artigos 1.1 e 2o do mesmo instrumento, em detrimento do Povo Indígena
Xucuru e seus membros;
b. pela violação dos direitos às garantias e à proteção judiciais consagrados nos
artigos 8.1 e 25.1 da Convenção Americana, em relação ao artigo 1.1 do mesmo
instrumento, em detrimento do Povo Indígena Xucuru e seus membros.
ii)
Recomendações.– Por conseguinte, a Comissão recomendou ao Estado o que
se segue.
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