70
da verdade. Ante o exposto, sustentaram que o Estado violou os direitos e obrigações
consagrados nos artigos 1.1, 2, 8, 13 e 25 da Convenção Americana.
186. O Estado recordou as diversas normas que regulam a sistematização e a
publicação de informação sobre mortos e desaparecidos políticos, aprovadas durante o
regime constitucional. No entanto, o panorama jurídico que regulamenta esse direito
será substancialmente reformado se for aprovado o Projeto de Lei No. 5.228, do Poder
Executivo, enviado ao Congresso Nacional em fevereiro de 2009 (infra pars. 291 e
293). Por outro lado, o Brasil recordou as diversas medidas adotadas, entre elas o
projeto “Memórias Reveladas”, e salientou as realizações da Comissão Especial, que
conseguiu reconstruir muitos episódios de morte e desaparecimentos forçados
ocorridos durante o regime militar. Também informou sobre sua ampla e complexa
rede de arquivos, os quais estão à disposição para consulta, dependendo “sua
liberação” dos prazos legais de classificação. No marco do cumprimento da sentença
da Ação Ordinária, em 10 de julho de 2009, entregou cópias de milhares de páginas de
documentos sobre a Guerrilha do Araguaia, que representam toda a informação
conhecida e arquivada no âmbito da União, referente à Guerrilha. Afirmou que aos
documentos especificamente relacionados com a Guerrilha do Araguaia não se aplica a
restrição de acesso a documentos públicos baseada na segurança da sociedade e do
Estado. Adicionalmente, o Exército, a Marinha e a Força Aérea informaram que não
possuem em seus arquivos nenhum documento desse período dado que os haviam
destruído de acordo com a normativa vigente à época. A Marinha informou que
determinados documentos divulgados pelos meios de comunicação sobre a Guerrilha
haviam sido subtraídos de maneira ilícita dos arquivos antes que fossem destruídos. A
Força Aérea também informou que, apesar de terem sido destruídos documentos,
alguns que continham informação genérica foram postos à disposição do Arquivo
Nacional. A destruição dos documentos relacionados com o regime militar foi realizada
de acordo com o Decreto No. 79.099, de 6 de janeiro de 1977, motivo pelo qual não é
possível determinar responsabilidades individuais dos funcionários. Por último, o Brasil
considerou que a Ação Civil Pública interposta pelo Ministério Público Federal já havia
sido integralmente atendida nos autos da Ação Ordinária No. 82.00.24682-5, razão
pela qual, em dezembro de 2009, apresentou petição informando ao Ministro Relator a
perda de objeto do seu recurso.
B. Fatos relativos ao acesso à informação
187. Alguns familiares de integrantes da Guerrilha do Araguaia promoveram, desde
1982, uma ação de natureza não penal, a fim de esclarecer as circunstâncias dos
desaparecimentos forçados, localizar os restos mortais, e aceder aos documentos
oficiais sobre as operações militares nessa região. Por sua parte, o Ministério Público
Federal também interpôs ações de natureza civil com objetivos semelhantes.
1. Ação Ordinária No. 82.00.24682-5
i. Fatos prévios à competência temporal da Corte
188. Em 19 de fevereiro de 1982, 22 familiares de 25 desaparecidos da Guerrilha
iniciaram uma ação judicial de natureza civil contra o Estado Federal, perante a
Primeira Vara Federal do Distrito Federal (doravante “Primeira Vara Federal”),
solicitando informação à União sobre a sepultura de seus familiares, de maneira que se
pudessem emitir os certificados de óbito, realizar o traslado dos restos mortais, e que
Select target paragraph3
Connect to a paragraph
Connect to an entity
Disable highlights
Add to table of contents