de 1969, o Estado adotou o Decreto de Gabinete n° 123 o qual assinalou que “por motivo da
construção do Projeto do Rio Bayano parte da atual reserva indígena, em Alto Bayano, será
inundada pela obra da represa” e que era “dever do Estado prover a área necessária para o
reassentamento dos moradores da mencionada reserva desalojados pela obra da represa”.
Como compensação da “área da atual reserva indígena que será inundada” pelo referido
projeto, dispunha-se a concessão de novas terras (adjacentes e localizadas a leste da reserva
indígena) declaradas “não adjudicáveis”100.
62.
Igualmente, este Tribunal considerou comprovado que, em 8 de julho de 1971, foi
promulgado o Decreto de Gabinete n° 156, pelo qual se estabeleceu um “Fundo Especial de
Compensação e Ajuda para os Indígenas de Bayano” para os indígenas que habitavam a
reserva indígena de Bayano dentro das áreas declaradas não adjudicáveis pelo Decreto de
Gabinete n°
123. O Referido Decreto considerou que “os grupos indígenas que habitam a atual Reserva
Indígena de Bayano terão que abandonar as terras que ocupam devido à execução das
obras do Projeto Hidrelétrico de Bayano” e que “estes grupos terão que se situar nas áreas
estabelecidas como não adjudicáveis pelo Decreto de Gabinete n° 123”. Além disso, esse
Decreto reconheceu que “a mudança para novas áreas implica para os indígenas grandes
esforços, acompanhados de despesas econômicas consideráveis, assim, justifica-se, por
razões de humanidade, o auxílio que o Estado decida a seu favor” e dispôs que o “Serviço
Florestal do Ministério da Agricultura e da Pecuária entregará aos representantes oficialmente
reconhecidos dos indígenas o montante da receita que em virtude do artigo [2°], compõe o
Fundo Especial de Compensação e Ajuda de que trata este Decreto de Gabinete”101.
63.
O Estado iniciou a construção da hidrelétrica em 1972. Ademais, foi criado o Projeto
de Desenvolvimento Integral de Bayano mediante o Decreto n° 112, de 15 de novembro de
1973, o qual dispôs “realizar o deslocamento e o reassentamento das comunidades
localizadas nas áreas da represa [e outras áreas]”. De 1973 a 1975 se realizou o deslocamento
dos povos Kuna e Emberá de Alto Bayano. As Comunidades Emberá foram inicialmente
deslocadas para outros lugares que eram inadequados, assim, foram novamente reassentadas
nas terras atuais. A construção da hidrelétrica terminou em 16 de março de 1976. Como
consequência da construção, várias aldeias indígenas ficaram inundadas e seus habitantes
foram deslocados102.
64.
A Corte determinou que entre 1975 e 1980 as autoridades estatais assinaram quatro
acordos principais com os representantes indígenas. Primeiro o Acordo de Majecito, em 1975,
com os Emberá referente aos delineamentos gerais do deslocamento da referida
Comunidade, e, posteriormente, os Acordos de Farallón, em 1976; de Forte Cimarrón, em
1977; e de Espriella, em 1980, com os Kuna de Mandungandí os quais tratavam das
indenizações supostamente estabelecidas entre as partes, como compensação pela inundação
das terras indígenas e seu deslocamento. Nos anos após estes acordos, foram realizadas várias
reuniões entre as referidas partes com a finalidade principal de buscar uma solução para o
conflito sobre as terras entre os
100
Par. 63 da Sentença.
Par. 64 da Sentença.
102 Par. 65 da Sentença.
101
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